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Cartões de convite

Numa bela tarde de abril, ligámos o computador e deparámos com um email do Gabinete do Primeiro-Ministro do Canadá: ‘’Dear Prof. Victor M.P. Da Rosa. The Right Honourable Justin Trudeau, Prime Minister of Canada, is pleased to invite you to a luncheon in honour of His Excellency Antonio Costa, Prime Minister of the Portuguese Republic. The event will take place on Friday, May 4, 2018 at 12:30 p.m. in Toronto’’. Diferentemente do que é costume nestas ocasiões, o convite não foi formulado por meio de um cartão enviado pelo correio. Surpreendeu-nos o informalismo. O mesmo já tinha acontecido com convites de embaixadas para a celebração dos respetivos dias nacionais. Como afirmam alguns colegas, em breve acabará o recebimento de convites, boas-festas e notas de agradecimento em papel. Vem tudo pela internet. Os cartões impressos decoram quase tanto a parede de um escritório como um quadro com flores. Demonstram que ainda há quem siga a tradição, quiçá o protocolo. Imagine-se o convite para um casamento feito por email. Exemplo: Zé Silva e Maria Pereira notificam que se casam amanhã e que os familiares e amigos poderão jantar com eles no Restaurante Bela Aurora. De facto, o envio por via postal está a tornar-se uma prática em vias de extinção. Haverá sempre quem diga que é por causa do progresso, que evita desperdício de papel. Em suma, um hábito ultrapassado. Talvez seja assim, porém somos da opinião que um evento pode não beneficiar da importância que merece se não for anunciado de maneira adequada. Ao receber um destes emails, fica-se com a sensação de produção em massa: cem pessoas com um clique no computador ou no “smartphone”! Com um cartão, o recipiendário sabe que alguém escreveu o seu nome e endereço e que, durante uns minutos, esteve no pensamento dessa pessoa. É provável que, por este processo, o invitado dê mais valor a um convite formal: hora de chegada certa, vestimenta “comme il faut”. Então, como se portou o António Costa? Perguntarão os leitores. Sim, estávamos a esquecer de clarificar que, no mesmo dia, optámos por festejar em Torres Novas o 95º aniversário de uma senhora que estimamos muitíssimo mais do que o atual primeiro-ministro português.

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