Home > Crónicas > A patuda cá de casa

A patuda cá de casa

Ela aparecia de mansinho. Espreitava desconfiada para todos os lados. Depois a medo devorava os grãos de ração a cheirar a peixe. Ficávamos enternecidas com aquela imagem. A vontade de lhe afagar o pelo era enorme, no entanto por mais tentativas que fizéssemos de nos aproximar ela fugia a sete pés. Paciência. Passaram mais dias e ela começou a ficar no caixote reconfortante nas noites de inverno. Este episódio foi há nove anos e felizmente ainda continua viva. A sua saúde debilitou-se ultimamente, tem insuficiência renal crónica disse o primeiro veterinário. Uns comprimidos e ração especial. A doença não tem cura, mas recupera em casa. Não recuperou. Completamente apática e magricela ficou internada noutra clínica. Precisava urgentemente de soro. Estava desidratada. Lentamente foi ganhando energias e hoje voltou para casa. Ela faz parte da família; ela é a nossa companhia; quando estamos doentes ela está sempre atenta; ela é meiga e entende as coisas; sabe onde faz as necessidades e enterra os seus dejetos. Ela chama-se Alzira, nome que foi dado pelo seu antigo dono. E nesta noite de verão estamos contentes porque já a vemos deitada no sofá a dormir tranquilamente. Nós somos pessoas que considera os animais uma mais- -valia, mas também eramos incapazes de ignorar o seu sofrimento. Temos a obrigação de cuidar deles e não os abandonar como muitos fazem. Só quem tem animais e se preocupa com eles compreende o que escrevo. Os animais não são bibelots para entreter uma criança, ou porque é moda ter um bichinho. Os animais têm de ser respeitados por nós humanos. Infelizmente quem os maltrata são monstros frustrados que exteriorizem a sua malvadez no corpo dos patudos. “O justo atenta para a vida dos seus animais, mas o coração dos perversos é cruel”

Deixe-nos o seu comentário pelo facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *