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Entrar pró Guinness

Torres Novas já entrou, como capital do figo preto. Mas como já não se faz aguardente, poucos são os figos e menos ainda as figueiras. Não é ano deles: o ano passado já estava farto de os apanhar; os poucos que a figueira tem ainda estão verdes. É o tempo que não vai de feição? Alterações climáticas que se acentuam? Poeiras no céu vindas dos desertos africanos? Até pode ser que me engane e que o tempo quente ainda os traga serôdios já que ainda não comi sequer um lampo. Adiante de pouco serve esta distinção embora seja um feito digno duma reserva da Biosfera e nós temos, juntamente com a Golegã que a valoriza, a primeira entre todas as outras de Portugal, poucas como poucas são as do resto da Europa ou de cada um dos cinco continentes.
Este verão só iniciou verdadeiramente com o incêndio de Monchique, que ao menos não teve vítimas mortais, ao contrário da Grécia em que o incêndio provocou até afogamentos. No entanto, Portugal já é o País do mundo com maior área de plantação de eucaliptos e da Europa com a maior área ardida. Não conheço os registos das temperaturas das últimas décadas embora todos notemos que os verões são cada vez mais quentes. Não sabia sequer que a Amareleja, que já teve a maior central solar do mundo em 2008 e que já foi também (será ainda?), a maior aldeia de Portugal, tem sido a povoação de Portugal que tem os dias mais quentes. Quando era miúdo lembro-me bem que, em Torres Novas, trinta e muitos já era um calor abrasador, quarenta, quarenta e dois, um forno, mas nestes dias quentes, com temperaturas por vezes acima dos 45 graus, upa upa, Torres Novas esteve mais quente que a Amareleja. Quando formos a capital mais quente do País, sem fogos e sem figueiras, eu quero cá estar, a celebrar a nossa entrada para o Guinness!

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