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De médicos (veterinários) e loucos, todos temos um pouco

Conselhos sobre saúde animal em caso de incêndio

Por: Telma Gomes

E o verão vai seguindo os seus dias. Dias mais quentes, dias mais frescos, e o que todos os anos acontece: incêndios. Recentemente, tem sido notícia o devastador fogo que deflagrou na Serra de Monchique. Vivendo numa zona rural, de mato, sempre me interroguei: o que acontecerá aos meus animais, se surgir por aqui algum fogo? Era pequenita, ouvia as notícias dos incêndios e esta pergunta inquietava-me o sono. Tinha cães, gatos, galinhas e a tartaruga para salvar. Mas como planificar o resgate da família – quatro patas (ou duas, no caso das aves), incluídas? A minha colega médica veterinária municipal de Monchique lançou o programa “Animal Seguro”. Baseado no programa desenvolvido nos Estados Unidos após o furacão Katrina, o “Animal Seguro” reúne procedimentos de proteção animal em caso de incêndio. Segue-se aqui um resumo do que fazer no que toca a animais de companhia. Em primeiro lugar, ter um plano, que toda a família conheça e que inclua o seguinte: caixa de primeiros socorros, de fácil acesso, com o material básico e ainda, trela, açaime e o contacto da clínica veterinária; documentos e fotografia do animal; caixa transportadora. Friso: a identificação eletrónica, ou microchip, é fundamental para que se possa identificar o animal e o seu dono! É importante conhecer o animal, saber quais são os seus esconderijos preferidos, para que possa encontrá-lo rapidamente em caso de necessidade. Este plano sugere ainda, a colocação, na porta principal da casa, de autocolantes que indiquem o número e a espécie de animais aí existentes, com a menção da sua situação de resgate e o contacto com o qual equipas de salvamento possam contar, em caso de necessidade. O facto é que se verificou que 80 a 90% dos animais que não são evacuados com as suas famílias e são soltos à sua sorte, morrem. Por isso, assume-se a regra: se não é seguro para mim, não é seguro para o meu animal. Uma vez que, sobretudo em situações de stress, é difícil apanhar os animais, ao mínimo sinal de alarme, estes devem ser mantidos em casa, para que rapidamente se consiga colocar-lhes uma trela ou deixá-los na caixa transportadora. Para tal, importa não esquecer de fechar todas as hipóteses de fuga: janelas, portas gateiras são suficientes para que o animal fuja e já não seja possível capturá-lo. Entretanto, ao sair de casa, levando consigo toda a bicharada, escreva no autocolante da porta “resgatados”. Assim, as equipas de socorro poderão direcionar-se para outros locais onde sejam necessárias. Na verdade, o plano não parece difícil. O problema é lembrarmo-nos, antecipadamente, de o elaborar. Que a desgraça de um incêndio à nossa porta não seja o único momento em que nos lembramos de proteger toda a nossa família.
Estes

 

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