Home > Colaboradores > Carlos Borges Simão > Festivais de Verão – Grandezas e Misérias

Festivais de Verão – Grandezas e Misérias

Nesta época do ano os festivais de música multiplicam-se. Há festivais para todos os gostos e os jovens acorrem a eles entusiasticamente e descuidadamente como é próprio da juventude. Embora eu já seja velho, a minha convivência com os jovens foi a minha profissão durante largos anos. Ainda hoje tenho imensas saudades desse tempo. Talvez que, por não ter filhos, eu os considerasse todos meus filhos. Por isso mesmo interesso-me sempre que está em jogo a juventude porque tenho a mania de desejar ardentemente que todos eles sejam felizes nas suas mais diversas profissões. Daí a razão do meu interesse pelos festivais de Verão. É a música que atrai os jovens. São os seus ídolos com quem eles vibram até ao paroxismo, não pensando nos males que os esperam no meio da euforia geral. As drogas, o álcool, a falta de higiene, as violações, os roubos, as trafulhices mais diversas. Os pais devem ter conhecimento disso e assim devem prevenir os seus filhos embora saibamos por experiência própria que eles, nessas idades raramente os ouvem. São os “cotas” que nada percebem, dos anseios da juventude. O que eu desejo ardentemente é que os pais deste país saibam ser rigorosos e compreensivos com os seus filhos. É difícil, por experiência o sei. No começo de cada ano letivo, as minhas palavras diante das minhas turmas eram estas: “Aqui eu sou vosso professor e não tenho convicções políticas e religiosas, só tenho convicções morais. Gosto de todos por igual e não admito que pensem que gosto mais duns que doutros”. De tudo se podia falar e, como professor responsável os prevenia dos muitos perigos que na nossa época espreitam os jovens. Nunca deixei pergunta nenhuma por responder e, quando não sabia, muito honestamente lhes dizia que iria investigar e, na aula seguinte, os esclareceria. Lembro-me muito bem do sucedido numa entrega de testes. Todos viam as classificações que eu dera e po- diam reclamar se achassem que estavam mal classificados. Tudo se resolvia em diálogo. Nesse dia entreguei os testes e enquanto todos viam as notas, uma das raparigas (se ela ler estas palavras sabe que é verdade) exclamou: “Pois o senhor gosta mais de “fulana” que de mim pois lhe deu nota melhor”. Confesso que perdi a cabeça e fiz-lhe um sermão indignado. Só me calei quando as lágrimas começaram a correr-lhe abundantes pela face. Ficamos amigos. Este longo parágrafo só tem a ver com o assunto de que falo na medida que nunca é demais dialogar com os jovens e preveni-los das ciladas que os esperam nestes festivais de Verão. Eles têm direito a gostar das suas músicas e dos seus ídolos mas também têm direito a serem prevenidos dos males que os cercam. Temos uma sociedade que se preocupa com as nossas doenças, com a nossa segurança e até com os nossos vícios. Mas não se esqueçam que é toda a sociedade que vai pagar os nossos desmandos, os nossos abusos e a nossa saúde que pomos em perigo nesses festivais e noutros ajuntamentos.

Deixe-nos o seu comentário pelo facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *