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Este verão

Depois dum tempo anormalmente frio vão por aí uns dias desmesuradamente quentes. São as alterações climáticas de que alguns cientistas dizem que não há retorno. E, para meu desconsolo, os sábios nesta matéria astral dizem que se deve beber muita água e nada de bebidas alcoólicas. Nem um copinho? Nestas horas tão quentes e geradoras de tanta secura, um bom branco ou tinto vinha mesmo a calhar. Ainda por cima, parece que os meus amigos todos se pisgaram de Torres Novas e, deixando-me para trás, rebolam-se na frescura de qualquer praia. E os malandrecos, que por lá andam tranquilos dias, querem lá saber das águas paradas do Almonda, do cheirete da ribeira da Boa Água?! Lembram-se lá de mim aqui a estornicar sob este sol! Passo por aí os meus dias de café em café, ouvindo o rico colorido das conversas de telemóvel dos meus vizinhos de mesa; leio três jornais desportivos todos os dias e durmo longas sestas. Ah, mas as noites seriam de uma insuportável solidão se não fosse a TV. A televisão é uma porta aberta à aquisição de conhecimento, ao entretém, à cultura. Se alguma pobre cultura possuo aos programas televisivos o devo. Ler livros cansa, dá cabo da vista, curva o cachaço e as costas; o écran, pelo contrário, expande-me a imaginação, desobnubila-me o espírito, castiga-me a ignorância. Mas do que eu gosto mais é dos programas sobre o futebol. Ali se encontra a pura substância da esperteza na arte argumentativa de qualquer comentador. Esfrego já as mãos de contentamento porque o campeonato nacional de futebol está aí à porta, ele traz-nos a certeza de que nascemos para sermos todos irmãos uns dos outros.
Eduardo

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