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Descanso ativo

Lembro com gosto as férias do meu tempo de jovem. Sonhávamos com as férias e sentíamos tristeza com o seu fim. Após o ano letivo com as aulas monótonas e cansativas e do tempo apertado e sofrido dos exames, vinha a liberdade e o programa variado das férias. Eram as colónias de férias com jogos e convívio agradável, os passeios a pé e de bicicleta com grupos de amigos, os ensaios e a representação de teatro. Tudo era novidade, alegria, enriquecimento cultural. Eram realmente férias ativas em que descobríamos e exercitávamos dimensões interessantes da vida. Não havia computadores nem telemóveis. Mas havia proximidade, comunicação, visitas mútuas. Descansávamos e aprendíamos muito. Parece-me que hoje os pais procuram também proporcionar aos seus filhos em férias esta riqueza de experiências. Seria uma pena deixá-los dias e dias agarrados ao computador, ou sentados diante da televisão, fechados na sua toca, privados de convivialidade. O descanso enriquece-se com o convívio alargado e com as atividades desportivas e culturais. Convivendo e jogando também se aprende. É este descanso que a Bíblia na sua sabedoria nos recomenda. “Vinde e descansai um pouco”, convidou Jesus os Apóstolos quando regressaram da missão. O descanso é indispensável para repensar e recomeçar, para o equilíbrio pessoal, para o bom relacionamento com os outros e para uma atitude positiva e construtiva perante a vida. Para uma existência sã precisamos de ação e de descanso. Segundo o primeiro livro da Bíblia, o Génesis, Deus trabalhou durante seis dias para criar o mundo e ao sétimo descansou. E então contemplou a obra feita e achou que era boa. Depois de criar o homem à sua imagem viu que era muito bom. E abençoou o dia do descanso e santificou-o. Esta linguagem simbólica leva-nos a entender o descanso numa perspetiva positiva e enriquecedora. Não consiste em inatividade, em passar o tempo no sofá ou na cama ou na televisão ou no computador. Mas é oportunidade de contemplar a beleza do universo, a bondade da vida e das pessoas, apesar de todas as suas imperfeições. É a possibilidade de prestar atenção e escutar os que vivem à nossa volta, familiares e amigos, de conviver os outros, de cultivar a vida interior, de alargar a nossa cultura com novos horizontes. Portanto, é importante programar para férias atividades que integrem convívio, encontro, proximidade uns dos outros, leitura. Esta preocupação é necessária particularmente em relação aos mais novos, crianças e jovens, pois frequentemente estas faixas etárias correm o risco de passar o tempo fechados nos computadores ou agarrados à televisão. Organizar campos de férias, desporto, passeios a pé ou de bicicleta, visitas culturais, é um desafio que hoje se coloca às paróquias, pais e educadores, Movimentos Eclesiais, associações culturais ou desportivas. Os mais novos agradecem.

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