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De médicos (veterinários) e loucos, todos temos um pouco

Abandono de animais

Por: Telma Gomes

Comecei por referir no último artigo o caráter atípico deste verão que estamos a viver: mudanças bruscas de temperatura, alguma chuva, dias cinzentos… Bem, talvez o seja apenas o que se refere ao clima. Com a chegada do verão, veio a abertura da época balnear, as férias… E a constatação, no interior de algumas cabeças, de que ter um cão quando se quer ir passar 15 dias de férias na praia, pode ser, não sei qual a melhor palavra, aborrecido. É verdade, chegou o verão e abriu oficialmente a época do abandono! Confesso, só quando comecei a trabalhar me apercebi desta realidade. Antes, via as campanhas de sensibilização divulgadas nos meios de informação, mas não tinha a realidade junto de mim. Não via, com os meus olhos, como, em poucas semanas, o número de relatos de cães abandonados aumentava, não via, com os meus próprios olhos, cães a serem deixados, amarrados ou atirados, no interior de abrigos para animais – oficiais ou de associações. Não tenho palavras para descrever a pobreza de caráter necessária para se abandonar um animal à sua sorte. São deixados à beira da estrada, confusos. Muitas vezes, perseguem o carro daqueles que lhes viraram costas, sem perceberem porque acelera a marcha enquanto ladram, chamando. Surgem atropelamentos. O animal vagueia perdido. Com fome e sede. Cheio de parasitas que espoliam os poucos nutrientes que ainda lhe restam. O cão que outrora fez as delícias de uma família é agora enxotado por todas as pessoas com quem se cruza. Ninguém quer um rejeitado, um problema de outros, esquelético, feio e cheio de carraças. O problema não, não é o cão. O problema não são as pessoas que não alimentam o animal de rua. O problema de base é a educação. Ou a falta dela. O problema é a facilidade com que, quem abandona, se descarta de uma responsabilidade sua, e a passa para outros. A facilidade com que vira as costas, num expoente máximo de cobardia, a algo vivo, senciente, que, de algum modo, escolheu ter. Abandono de animais é crime, desde 2014. Saiba que existem muitas opções, quando vai de férias. Desde escolher alojamentos que aceitem a entrada de animais – parques de campismo, hotéis –, passando pelo familiar/amigo que vai a casa cuidar do seu companheiro, até locais que o recebem para ele próprio ter as suas férias – um hotel canino, por exemplo. Certamente, encontrará uma opção. Há várias. Só uma não o é: abandonar.

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