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À conversa com Diamantino Lourenço: “Quando se ama a vida…”

  

Diamantino Lourenço sofre de “esclerose lateral ameotrófica”. Uma doença grave que lhe tirou a fala e o andar. Reaprender a viver é o segredo para viver um dia de cada vez com um sorriso nos lábios e uma boa dose de sentido de humor.

 

Diamantino Lourenço é um dos colaboradores assíduos d’ O Almonda e a “história” que hoje se dá a conhecer não será de todo desconhecida, se nos recordarmos de um texto publicado na edição deste semanário com a data de 21 de Setembro de 2007, com o título “A doença não impede de todo, o prazer de viver, quando se ama a vida.” Quisemos contá-la agora mais em pormenor, porque merece ser conhecida. Porque há exemplos de vida que dão que pensar…

 

Diamantino Lourenço nasceu no dia 9 de Junho do ano de 1947. É natural de Maçaroca, Chancelaria, e nasceu no seio uma família numerosa e “humilde de nove filhos”. Cedo ficou órfão de pai e como apenas existiam três filhos menores dos quais ele era o mais velho, sentiu a responsabilidade de procurar as melhores condições de vida possíveis para a família, partindo para Lisboa. “Parti na carreira dos Claras e levei um colchão de palha de milho. Não me cansei de procurar casa para levar a minha mãe e meus irmãos para junto de mim. Regressei a Torres Novas em 1976, para trabalhar numa loja de Móveis por conta de um dos meus irmãos mais velhos, onde permaneci cerca de um ano e meio. Iniciando a actividade de fabrico de pequenas peças de mobiliário com a minha mulher numa pequena garagem no Vale, Torres Novas, em fins de 1978. Passados dois anos, concretamente em 1980, construí instalações próprias próximo da minha aldeia, as quais foram ampliadas ao longo de 26 anos, e em 1987 fiz sociedade com o meu irmão mais novo, e um sobrinho. A empresa chegou a empregar 55 trabalhadores.”

 

Casado, pai de dois filhos e avô de duas netas que são o seu orgulho, Diamantino considera-se uma pessoa dinâmica e determinada, e apesar de tudo, com uma energia e uma força admiráveis.

No ano de 2001 foi-lhe diagnosticada uma doença crónica e progressiva: “esclerose lateral amiotrófica”. “Após ter efectuado uma enorme quantidade de exames, requisitados pelo meu médico de família, os resultados foram negativos, o que é normal nesta doença, pelo que tenho constatado. Por aconselhamento de um amigo dirigi-me a um dos melhores neuromusculares do nosso País, professor da Universidade de Medicina do Centro de Estudos Egas Moniz, o qual me dá assistência. A minha doença é muito rara, existem apenas setenta mil diagnosticados no mundo, e cerca de sessenta no nosso País, (e todos somos demais). Trata-se de uma doença degenerativa, crónica, e progressiva. Os doentes permanecem lúcidos, e com capacidade mental, e não é contagiosa…”

 

 

 

“Senti que o mundo se desmoronava…”

 

“Senti os primeiros sintomas por volta de 1998. Perdi a capacidade de assobiar. Sentia-me muito ansioso, sentindo que algo de estranho me iria acontecer. O meu médico pediu que fizesse exames de rotina… Em finais do ano de 2000, ao comer, comecei a engasgar-me com alguma frequência e nos princípios do ano de 2001 comecei a ter alguma dificuldade em falar. Nesta altura quase entrei em pânico, fazendo todos os exames possíveis e imaginários. Até que me dirigi ao sítio certo, e à pessoa certa, que, sem fazer qualquer exame me disse de imediato qual a doença que possuía. Nesse momento, senti que era o fim de um ciclo da minha vida. E que o mundo desmoronava…” Soube desde o primeiro momento que futuro a sua doença lhe reservava.

 

“Não foi necessário fazer muitas perguntas ao meu médico assistente. Dado que, o Professor, de uma forma muito profissional, e muito inteligente, me foi colocando ao corrente da situação, ao longo destes nove anos. Ao mesmo tempo, investiguei na Internet tudo sobre a minha doença. O que fiz apenas uma vez. Concluí que não resolveria absolutamente nada se permanecesse na pesquisa de forma obsessiva. Apesar de saber que o futuro me reserva tempos muito difíceis, há muitas razões para gostar da vida. Já vivi quase 9 anos, e penso que vou viver muitos mais. No entanto procuro ocupar o tempo sem pensar muito no assunto. O que acontecer, logo se verá.

 

Célia Ramos

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