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Inveja e infelicidade

Gostamos de jornais. Disse um grupo de jovens. E resolveram fazer um jornal. O mesmo jornal foi feito por muitos anos. Um belo dia, um dos fundadores, já velho e orgulhoso do jornal que fazia, subiu a montanha e foi mostrar seu jornal para os povos vizinhos… “um pouco de exibicionismo faz bem para o ego”, pensou. Por lá encontrou os povos da montanha, que também impri- miam jornais. Vendo que o jornal dos vizinhos era lindo, moderno, cheio de pessoas inteligentes e mais atrativo que o seu… nessa hora, os seus olhos movimentaram-se, voltando-se para o seu jornal que era a sua alegria e orgulho. Mas, agora, deixara de ser. Vendo seu jornal minúsculo e ultrapassado, desceu então o pobre jornalista até à sua aldeia. Já em casa, perguntaram-lhe o que sucedera com a divulgação do seu jornal, ao que ele respondeu: “os povos da montanha não sabem ler”. E moveu os olhos para um lado. Esse movimento é a maldição dos olhos. Chama-se inveja. A inveja vem do latim invidere que quer dizer, “olhar pelos inversos”. Inveja não olha de frente. Quem olha de frente é feliz. Quem olha de lado olha aos inversos, com olho infeliz. Olho invejoso. Muita gente tem medo desse olhar. Não precisa. O olho da inveja nunca faz nada com os outros. Ele só deixa de ler o próprio jornal e passa a criticar, inversamente à verdade, o que não pode fazer melhor. Esse movimento de olhos é o mal da comparação. Com a comparação tem início a infelicidade humana. Isso acontece em tudo quando se compara a casa, o carro, as roupas, o corpo, a inteligência e até mesmo os filhos. Frequentemente os filhos são vítimas no jogo de inveja dos seus pais. Aquele meu filho, que é minha felicidade… mas os filhos dos vizinhos têm melhores notas na escola, são campeões de desporto, são mais altos, mais fortes, e figuram n´ O Almonda… Então o olho se movimenta e vem a inveja. E a infelicidade.
Durval Baranowske, diretor

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