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Gatilhos fora das televisões

Já não é a primeira vez que me refiro a esta temática, mas nestas quase duas décadas do século XXI, parece que os apetites pela linguagem e imagens agressivas e violentas nos media se intensificaram fortemente. Basta ver filmes, telenovelas e alguns jogos de futebol, para se avaliar o comportamento da sociedade, que inclui algumas reações de igual teor, portanto pouco abonatórias, dos líderes dos clubes maiores.
Também na estrada há condutores que parecem inimigos de guerra, com a G3 na língua, prestes a disparar por coisa nenhuma, porque consideram que conduzir um automóvel é ter poder. Já agora recordo um episódio que me foi contado, do qual pude depois observar as consequências. Tratou-se de um desentendimento, numa estrada secundária. O condutor que ultrapassou entretanto parou à frente, e veio até a pontapear o que ia na sua calma e a cumprir as normas, tendo-lhe provocado uma lesão de meses. Ora, os múltiplos ecrãs ligados diariamente podem ser os difusores de ódio, de raiva e de má educação que são à partida grandes inimigos da família, da escola, e logo da sociedade. Acresce que uma sociedade só sobrevive com princípios, com normas, com capacidade de alicerçar a juventude para as tarefas difíceis do amanhã. Do futebol, mais uma vez apreciei alguns comentários a jogos do mundial da Rússia e voltei a ouvir palavras como “matadores” “perigo” “matar o jogo” “duelo” “disparo” e “vingança”. Lamento que não se adeque o léxico aos conteúdos. Mas é claro que há e sempre há de haver jovens bem encaminhados, como também há boas famílias, pelo que nem tudo é negativo. Também há boa música, bons programas, boa televisão e bom futebol e muitas outras modalidades menos agressivas no comportamento e linguagem. As escolhas podem é ser outras e nas horas menos certas, o melhor é pouco visto, em detrimento do que tem mais “ação”.

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