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O país dos mamelucos

Talvez poucos saibam o que eram os mamelucos, mas para o caso pouco interessa porque me lembrei deste título por causa de um costume que havia lá na minha Beira Alta, nas terras de Egas Moniz. Normalmente todas as mães davam de mamar aos seus bebés e não havia outra maneira ainda que, quando uma parturiente não tinha leite, normalmente havia uma outra que tinha em abundância e então amamentava também o bebé da outra mãe. Os dois bebés ficavam a chamar-se “irmãos colaços”. E eu tive um irmão colaço. Não sei se ainda é vivo. Ora as mulheres davam de mamar aos seus bebés e ajudavam-se umas às outras. Mas havia sempre um ou outro bebé que não queria deixar a maminha da mamã. Ora a mulher tinha de trabalhar e o trabalho no campo e em casa era duro. Então que faziam lá as mulheres da minha Beira? Quando achavam que os seus meninos já estavam a mamar demais, pintavam uma mama de preto com um carvão de tal maneira que o “mamão” apanhava um susto tal que logo deixava de mamar. Vem isto a propósito dos Mame-lucros que agora invadiram este país como praga do Egipto. Não há “ forrete” – (como chamavam, então à pintura da mama pela mulher) que os desvie da mama. São os dos Bancos, são os de algumas empresas, são alguns funcionários e chegamos ao descaramento de primeiro-ministro entrarem na baila. Depois querem um país mais igual quando uns podem ganhar vinte, trinta ou quarenta mil euros e outros ganham seiscentos. Será possível? Esses mamões não se cansam de mamar. E o mais estranho em tudo isto é que, na maior parte dos casos a justiça, quando se trata dos corruptos (mamões) não só leva tempo imenso a julgá-los como depois lhes aplica penas, quase sempre suspensas. Peço licença à autora do artigo, M. Fátima Bonifácio, que assim escreveu há dias no jornal Público, para a citar: “Como pode alguém arrogar-se o suposto mérito moral de se declarar de esquerda, de se reclamar lutador pela causa de todos os pobres, humilhados e ofendidos se esse alguém vive no capitalismo como o peixe vive na água ou as vacas pastam nos prados açorianos?” Acrescentarei eu: é que muitos são Mame-lucros, ou seja, os lucros sempre os lucros e o pobre que se dane.

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