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Muitos cardeais e poucas andorinhas

Os cardeais do jardim são grandes poetas e cantarolam durante todo o verão. Rivalizam com os “robins” que também são autênticos trovadores. Ambos despertam o quarteirão por volta das quatro da madrugada e não se consegue ouvir mais nada, a não ser a discreta música de fundo de um casal de rolas na bétula do vizinho. De repente, um corvo grasna tentando impor silêncio à orquestra. Ao escrevermos estas linhas, tanto os passarinhos como os passarões festejavam satisfeitos o 1º de Julho, Dia do Canadá.

Amanheceu com bastante humidade e a temperatura subiu a mais de 30º. Ao meio-dia em ponto, a cidade foi sobrevoada pela esquadrilha “Snowbirds” da RCAF (9 aviões CT-114), o que assustou a passarada. Após as habituais acrobacias sobre o Parlamento, regressou a paz. O calor foi aumentando e, ao anoitecer, ainda se sentiam correntes de ar escaldante. Tivemos de regar a relva que morria de sede e os “nossos” pássaros aproveitaram para arrefecer um pouco nos repuxos do jardim. Mas passemos às andorinhas. Já o sol se ocultava no horizonte, foi a nossa vez de ir refrescar junto ao rio. Numa arriba, vimos algumas cujo número tem diminuído claramente nos últimos anos. Até no fim de tarde, com mosquitos aos milhões, o céu estava quase vazio. Há uns anos, eram frequentes os bandos de andorinhas a perseguirem os insetos. Ficámos a pensar se será apenas aqui que se destaca esta ausência. O mesmo não estará a acontecer em Torres Novas? Será que, quando menos esperarmos, deixará de haver andorinhas? A propósito de Portugal, vem a talhe de foice acrescentar que em recente visita a um monte algarvio, ao lado da Albufeira do Funcho, vimos uma poupa e ouvimos um cuco. Sentirão também as gerações futuras a felicidade de os ver e ouvir?

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