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O Jardim de Plástico

Num reino muito distante havia um autarca muito sábio, que gostava de jardins. Os jardins estavam na sua cabeça o tempo todo e ele queria fazer da sua cidade um belo pomar, para que todos pudessem usufruir de um ambiente belo, perfumado e pacífico. Aconteceu que o sábio autarca precisou fazer uma longa viagem, justamente quando começou a plantar os jardins. Assim, chamou três jardineiros e deu-lhes um único pelouro: fazer de toda a cidade um jardim. E partiu. O primeiro jardineiro, ficou muito feliz com a confiança depositada nele e pôs-se a cuidar da cidade plantando cerejeiras, jasmins e exuberantes flores pelas praças. O segundo, também contente com a confiança depositada, pôs-se a limpar a cidade. Lavrou os lixos dos bosques para evitar queimadas, limpou todo o lixo, reconstruiu a capela do cemitério, despoluiu o rio, deu casa aos animais e mendigos abandonados. Já o terceiro, que não era jardineiro e mentira para conquistar o emprego, nada fez. Um dia voltou o sábio autarca. Numa reunião ele quis saber da cidade. E os dois primeiros jardineiros, felizes, mostraram-lhe os resultados de seus esforços. O autarca sorriu. Aí foi a vez do último. Não havia formas de enganar. E ele confessou: “Não fiz nada! Não gosto de jardins. Não nasci para limpar florestas, nem para plantar flores. Não acredito em argumentos ambientalistas… mas o que me aborrece mesmo é o facto dos jardins estarem sempre a dar trabalho. Cuidar de um jardim é inútil. Se fosse eu o autarca desta cidade faria todos os jardins de plástico. Como sou pragmático, o rio, entregaria aos capitalistas, pois as águas renovam- -se. Os animais e mendigos à adoção, pois todos têm a sua sorte. Na minha administração pragmática a cidade seria toda de pedra e plástico, pois assim é mais fácil lavar”. E com estas palavras entregou ao sábio autarca o pelouro confiado. O autarca ficou muito triste e disse: “Esta parte da cidade está perdida. Deverá ser refeita pelo primeiro jardineiro. E quanto ao senhor administrador pragmático, respeito o seu desejo. O senhor não gosta de jardins. Vai morar numa cidade sem jardins. O senhor gosta de plásticos. Pois de hoje em diante, irás fabricar plásticos, nas fábricas dos pragmáticos. Durval Baranowske, diretor

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