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Milho amarelo

Azinhaga, Mato de Miranda, Pombalinho. Campo que já foi olival. Dantes havia sardões – disse o Prémio Nobel. Adiante! Não interessa pensarmos demasiado no passado, pode ser sinal de caminhar pra velho! O projeto tem que se lhe diga. Uma nova agricultura: produzir biodiversidade continuando competitiva e economicamente sustentável. Do séc. XXI, na era das telecomunicações, das localizações por satélite. Com rega de pivot, sobrevoada por drones, com ligações ao telemóvel. Cada parcela do terreno analisada metricamente nas deficiências de rega, na produtividade. São elaborados mapas, tabelas para comparação fácil dos resultados ao longo dos anos. Qual o compromisso com a biodiversidade? Nas zonas menos produtivas são instalados oásis: sebes autóctones, arbustivas e herbáceas favorecendo aves e insetos. Pilriteiro, sabugueiro, abrunheiro, zambujeiro… Milfurada, funcho, madressilva, malva, almeirão, murta… Foi elaborado um livro de bolso, construídos charcos para a proliferação de sapos, rãs, salamandras, cobras d´agua, libelinhas… E a produção, já próxima das 18 toneladas por hectare, não baixa porque a tecnologia permite melhorar as áreas aptas para a agricultura intensiva. Custa a acreditar: uma agricultura de sementeira direta; sobre- voada por câmaras que filmam, fotografam, medem falta d’água, áreas invadidas por infestantes, pragas, isto tudo online. Permitindo espaços naturais incentivando as nossas espécies de animais e plantas que, tal como o clima, o território, a história, nos conferem identidade. As principais culturas do campo, da lezíria, são verdes por serem de regadio. Uma se destaca: a mais alta, a que demora mais tempo na terra. Fomos nós, os iberos, que a trouxemos para a Europa nos descobrimentos, quando exterminamos os maias. Cresce rala, cobre a terra, embandeira ao vento, ganha maçaroca, engrossa os grãos das galinhas e das pipocas, seca, perde a barba. Qual o nome deste projeto inovador? É verde? Não. É amarelo! Milho amarelo.

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