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Quem defendia Pol Pot?

A idade avança e afigura-se apropriado olhar pelo retrovisor da história e aquilatar disparates de alguns “media”. Antes, era “lavagem do cérebro”. Agora, são “fake news”. Estivemos no Sudeste Asiático e resolvemos visitar o Camboja, país associado aos “killing fields” (campos de matança) do Khmer Vermelho. Queríamos admirar Angkor e os templos budistas, mas sobretudo entender como, quase no fim do século XX, ainda houve quem desculpasse um genocídio análogo aos perpetrados pelos regimes nacional-socialista de Hitler e comunista de Estaline. Os “feitos” de Pol Pot não ficam atrás dos horrores hitlerianos e estalinistas. Fomos ver provas dos crimes executados por este algoz e justificados pelos “jornalistas” da época. Com astúcias abracadabrantes, escondiam a política de genocídio do Khmer Vermelho que, para alguns, se impunha para libertar o país da burguesia que o explorava. O parlapié “politicamente correcto” do costume.

Os paladins do Khmer Vermelho tinham estudado em Paris, afiliaram-se no PCF e defendiam a criação de uma sociedade camponesa. Em 1975, tomaram Phnom Penh e, em nome de uma reestruturação radical, iniciaram o morticínio de possíveis resistentes. Assim, Pol Pot fez assassinar médicos, advogados, professores e outras pessoas com educação ou que usassem óculos – sim óculos! – e também as que falassem francês, a língua do ex-colonizador. Também exterminaram monges budistas, minorias étnicas e quem quer que se lhes opusesse. Nos cinco anos de governo Khmer Vermelho, dois milhões de cambojanos – um quarto da população – foram liquidados. Ninguém desconhece campos nazis (ex. Auschwitz), alguns leitores ouviram falar dos gulags estalinistas, mas quantos portugueses leram nos jornais referências a este genocídio? Tuol Sleng merece uma visita.

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