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Aterragem brusca

Sempre que tinha de fazer análises ao sangue desmaiava. Era um tormento. Um dia caí mesmo da cadeira para o chão. Quando recuperei os sentidos estava deitada numa maca. Ao meu lado um enfermeiro com uma voz esganiçada esconjurava quem me tinha levado para a dita maca. Era errado. A pessoa cai e tem de permanecer onde caiu, até que alguém profissionalmente habilitado nos venha resgatar. Já lá vão uns anos desde esse episódio. Mas como há sempre algo a acontecer-me eis que na quinta-feira, dia 28, tive um outro episódio hilariante e preocupante. Tropecei numa cana no estendal no meu quintal e fui bater com a cabeça no muro e estatelei-me no chão de cimento. De imediato comecei a sangrar quer da boca e da testa. Por incrível que pareça consegui manter-me calma. Não me levantei e liguei para o 112. Alguém atendeu dizendo-me que iam passar a chamada ao médico, mas colocaram música. A minha mãe estava em pânico. Disse-lhe que estava consciente e que precisava de ir ao hospital. Chamou-se os vizinhos que acorrerem e prestaram auxílio. A ambulância chegou e dois bombeiros perguntaram-me se estava bem. Respondi-lhes debaixo duma toalha que não estava morta. Fizeram os primeiros socorros e levaram-me para as urgências. Entre solavancos e deslizamentos fui mudada para outra maca. Nessa tarde havia lotação mais que esgotada pois havia greve dos enfermeiros e os doentes que iam ao Centro de Saúde apareceram no hospital. Esperei umas 4 horas para ser atendida, mas não me chateei. Estava confortavelmente instalada numa maca no corredor. O senhor doutor estava preocupado com a minha cabeça e passou o tempo a fazer-me perguntas. A certa altura quis saber se eu tinha vomitado. Resposta negativa, mas acrescentei que estava esfomeada. Que raio de coisa, a fome não me larga, mas continuo magrita. E a hora do lanche chegou e o meu estômago agradeceu a tijela de papa que me deram. Ao fim da tarde tive alta, sendo a primeira vez que não fui picada e nem me receitaram nada. Apenas teria de colocar gelo nas mazelas e se vomitasse ou sentisse tonturas teria de ir para Abrantes. Lentamente vai-se indo. O que me espanta e me deixa mais forte foi o meu autocontrole perante uma situação má. Provavelmente, é por já ter passado por momentos complicados que ganhamos uma carapaça boa. Para terminar quero agradecer a quem me auxiliou, aos bombeiros que foram incansáveis, ao pessoal (enfermeiros, médico e auxiliares da Acão Médica) do serviço de urgências do nosso hospital. Não esquecendo os amigos que me enviaram as melhoras através de mensagens. Bem-haja a todos.

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