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Uma questão de civismo, moda e, claro, saúde

Por: Fábio Carvalho

A semana passada, enquanto fazia “zapping” na televisão, parei no programa da RTP Portugueses pelo Mundo, que conta a vida dos nossos emigrantes “tugas” lá fora. A deles e a do país que escolheram para viver. Estavam no Japão, por isso é que parei. Sempre foi um daqueles países que não me importava de visitar um dia. Há algo ali que me fascina, a tecnologia, a cultura. O nosso português passeava pela movimentada rua da cidade, não cheguei a perceber se seria Tóquio ou Osaka. E ia explicando um pouco do quotidiano dos nipónicos. Referiu que no Japão, Portugal é pouco conhecido a não ser que se toque no nome de Cristiano Ronaldo, claro. Enfim, durante o passeio foi explicando porque muitos dos Japoneses andam nas ruas da cidade com máscaras cirúrgicas. De fato desperta curiosidade. Fui pesquisar. Os motivos são vários e algo surpreendentes, mas para os Japoneses já se trata de uma questão cívica, embora possa hoje em dia ser considerado um vício. Comecemos pelo primeiro, o
Kafunsho, ou seja, a febre do feno. É muito comum no Japão durante a primavera, por causa do pólen dos cedros (sugi) e dos ciprestes (hinok), muito abundantes no país do sol nascente. Quando estão com esta gripe, os Japoneses utilizam a máscara para evitar contaminar outras pessoas. Mesmo que não estejam com esta febre muitos utilizam a máscara para evitar precisamente apanhar uma gripe ou outra doença contagiosa, principalmente nos locais públicos e nos transportes coletivos. Esta atitude reflete o cuidado e o respeito que os japoneses têm uns pelos outros. Para além de se protegerem contra eventuais contágios é uma forma de se protegerem também dos ventos gelados durante o inverno. Também a utilizam para se protegerem da poluição ambiental, especialmente nas grandes cidades e zonas industriais. Os recentes problemas na Central Nuclear de Fukushima viram aumentar as preocupações e o uso das máscaras. Apesar de tudo isto ser uma realidade hoje em dia, os Japoneses já não precisam de um motivo real para usar esta máscara, porque já ultrapassou as questões de saúde. Já se transformou numa moda. Há empresas que lucram milhões com estas máscaras e até já as personalizam ao gosto de cada freguês. As mulheres, para além de as usarem por uma questão de moda usam-nas também para esconderem as suas imperfeições do rosto. Tal como espinhas, erupções cutâneas, manchas ou porque simplesmente se esqueceram da maquilhagem. Usar a máscara é também um sinal de confiança ou falta dela. Diz-se que eles se sentem mais confortáveis com as máscaras e até trabalham melhor com elas. Nesse caso podíamos experimentar. Mas este conforto também pode significar insegurança e baixa autoestima. A máscara acaba por ser uma forma de esconder as emoções e as expressões faciais e evitar destacar-se nas multidões. Há um ditado no Japão que diz “prego que se destaca, será martelado”. Os Japoneses são educados para não se sobressaírem em público. Apesar de alguns motivos mais ou menos racionais há um perigo. Há grupos chamados de Bosozokus, gangues violentos de motociclistas que usam as máscaras para aterrorizar a vida dos seus compatriotas, criando barulho e muitas confusões no trânsito. Os Japoneses são um povo excêntrico e criador de novas modas. Um povo que merece o nosso respeito pelo muito respeito que têm uns pelos outros. Pelo menos no que toca a saúde. Devemos aprender com eles.

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