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As máscaras das Pessoas

Diz-se personalidade e eu digo personalidades. Não somos pessoa, somos pessoas. Em mim habitam sete eus, como no “Louco” de Gibran. São sete olhares, sete modos e sete vozes. A do padre, a do professor, a do soldado, a do filósofo, a do jornalista, a do poeta e a voz “muda” do menino. Através de velhos factos, evocamos velhos hábitos, trazendo tudo para as máscaras que fabricamos para as vidas que vivemos. Já está dito, máscara vem do latim persona, que se tornou “personalidade”. Só que não temos apenas uma máscara. São muitas. São várias, é uma legião; “meu nome é legião”, disse um possesso por máscaras a Jesus nos Evangelhos. O nome médico, o nome en- genheiro, o nome polícia, o nome padre não é o ser que somos verdadeiramente. Nomes são máscaras, são as máscaras que têm nomes. Este nome que uso é a máscara pela qual sou reconhecido pelo público do teatro da vida. Neste teatro não interessa o rosto verdadeiro por detrás da máscara. O que in- teressa ao público é o que querem de nós e jamais quem somos nós. Desta maneira a sociedade coloca-nos máscaras. Sabemos que as máscaras usadas pela sociedade, para esconderem o rosto, moram dentro de nós, como entidades da nossa psique. Todas as vezes que olhamos para um profissional e ele nos parece misterioso, estamos pressupondo que ele não é um rosto, mas uma máscara, uma dissimulação. Mas será possível simplesmente tirar as máscaras? O poeta Fer- nando “Pessoas” tentou fazê-lo e o máximo que conseguiu foi chegar numa última pintura, a máscara da criança. Nela ele se viu ao espelho. E não quis saber de mais máscaras, pois a criança não participa da farsa, não representa. Sua máscara é a última face do ser que só representa a si mesmo. “Quem não for como as crianças não entrará no reino dos céus”, disse Jesus, num reino de mascarados, para os homens do templo. As máscaras sociais podem ser colocadas e tiradas. Mas as máscaras colocadas por nós só podem ser retiradas por outras forças. Ela só se despega da nossa pele quando tocada pelo riso ou pelo amor. O riso sacode todo o corpo, abre os músculos da face e caem as máscaras. E só sabemos quando estamos amando quan- do, diante da pessoa amada, todas as máscaras caem e aparece a criança.

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