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A Luta dos Professores

A maior parte dos jornalistas que eu leio tem uma ideia errada sobre a justeza da luta dos professores. Escrevem que a passagem de escalão se processa só por causa do tempo de serviço. Ora isto não é correto. Os senhores jornalistas já deviam saber que os professores, além do tempo de serviço, têm que ter várias formações e vários créditos para atingirem os escalões superiores. Além disto, também deviam saber que a profissão é de desgaste lento e, nos dias de hoje, sobretudo o primeiro ciclo, o desgaste é galopante de tal maneira que eu já aqui afirmei que se os professores tivessem acesso a outra profissão, o país ficava sem professores. Lamento dizê-lo, mas, hoje, o professor tem de fazer frente à má educação dos alunos, às exigências excessivas do Ministério da Educação, ao desrespeito pela sua profissão e a um salário que foi sendo reduzido graças aos cortes de vários governos. Chegamos a uma situação em que, em muitas escolas, os professores ficam doentes sobretudo com depressões. Só faltava a exigência imposta aos professores para não reterem ninguém. Será possível? Quem quer ficar bem no retrato? Depois admiram-se dos resultados de testes a nível europeu: os miúdos do quinto ano são incapazes de situar Portugal no mapa e nem sabem indicar o Rio Mondego, etc., etc. Estou a ouvir os pais e outros encarregados de educação: os professores não ensinam, também não têm conhecimentos. Como é que os miúdos hão de aprender? Garanto-lhes porém que temos dos melhores professores, dedicados, sabedores e amigos dos alunos. Então qual é o problema? Infelizmente não há só um mas vários. Primeiro o Ministério da Educação: se me pusessem à frente duma fábrica de tecidos, de certeza que dava bronca, se dessem autoridade aos encarregados de educação para mandarem nos professores, tudo correria mal, se mudassem todos os anos de professores onde estaria o projeto de escola? E por último acrescentaria: enquanto tivermos um Ministério da Educação constituído por feudos onde cada um defende o seu baronete, estará tudo explicado. Ouvi, mais vezes do que gostava, estas palavras dos tais baronetes: “para quê escrevermos diretivas, orientações ou despachos para as escolas? Os professores são uns ignorantes! Diz o roto ao nu: “porque não te vestes tu?” Eu sugeria uma coisa ao senhor Ministro da Educação: metade do ano letivo, os alunos seriam os pais, não só para aprenderem como educar os filhos mas também para aprenderem a respeitar os professores. Na outra metade seriam os filhos a frequentarem a escola. Talvez resultasse…! Se os pais não estão preparados para aturarem os seus rebentos, como querem que os professores estejam? Eles foram formados para dar aulas, só que, quando chegam à escola têm de ser psicólogos, psiquiatras, médicos, pais e finalmente professores. Abram os olhos e respirem fundo!

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