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De médicos (veterinários) e loucos, todos temos um pouco

Adotar um cão adulto

Por: Telma Gomes

Na última vez, referi alguns pontos-chave no que toca à adoção de cachorros. Hoje escrevo sobre a adoção de cães adultos. Não torça já o nariz, conclusões só no fim do texto. Abordando o que salta à primeira vista, os caracteres físicos do animal, quando decidimos acolher um cão adulto, já sabemos aquilo em que nos estamos a meter. Não há razão para as desculpas típicas: “cresceu demais”, “era branquinho e agora ficou amarelo e eu queria mesmo era um animal branco”, “tinha o pêlo lisinho e macio e agora parece um esfregão de arame, não gosto de lhe dar festas”, “os olhos eram azuis e agora são amarelos”. Parece ridículo? Experimente ouvi-las, mantendo a expressão facial normal e um discurso politicamente correto. Outro fator muito importante na adoção de um animal é o seu caráter. Uma grande vantagem de adotarmos um cão adulto é que a sua “personalidade” já está definida. Quando adotamos um cachorro, embora desde logo consigamos reconhecer alguns traços de carácter, o facto é que aquilo em que se tornará quando crescer é uma incógnita, muito dependente da nossa capacidade de educá-lo e treiná-lo. Este facto reveste-se de particular importância para quem tem um cão pela primeira vez:
nem sempre é fácil treinar um cachorro de carácter forte, tornando-o num cão equilibrado. É verdade que adotar um animal adulto pode ser mais complicado numa casa já com outros animais. Mas é um grande mito pensar-se que não se irá adaptar à nova casa e às novas regras: da minha experiência pessoal, e da experiência que tenho ouvido de outras pessoas, os cães adultos não têm anormais dificuldades de adaptação. Pelo menos, se compararmos com os meses que demoramos a educar um cachorro. E quanto às necessidades? É impressionante como, intuitivamente, os animais sabem que a casa de banho é na rua. Passeie o seu cão mais vezes nos primeiros tempos e premeie-o sempre que fizer o que se pretende. Terá a sua vida facilitada. Ah! E respire de alívio: os adultos têm a função “máquina destruidora” já um pouco desgastada pelas aventuras da juventude. Em princípio, os sofás e os chinelos sobrevivem, embora seja importante assegurar que têm um ambiente estimulante, com brinquedos à disposição. Posto isto, só fica a faltar um pormenor. “O” pormenor: os cães adultos sabem que são adotados, sabem que receberam uma nova oportunidade: são-lhe eterna e incondicionalmente gratos por isso. Aproveite.

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