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Meu querido Portugal

Escrevo-te porque, ultimamente, muitos dos teus filhos ilustres, têm posto em dúvida tudo aquilo que realizaste através dos mares a partir do século XV. Dizem eles que conquistaste terras que não eram tuas, massacraste muita gente, escravizaste outras tantas. Uma vergonha! Levantam tantas polémicas que eu, pobre desconhecido, fico desnorteado se te hei-de chamar herói, se escravocrata, se assassino, se ladrão de territórios imensos que te não pertenciam. Mais ainda, não sei se tu descobriste novos mundos, se os achaste, se os globalizaste. Que confusão! Dá-me ideia que teremos que pedir desculpa porque navegamos mares desconhecidos. Teremos que pedir perdão porque conquistamos terras desconhecidas, porque negociamos com outros povos, que trouxemos mercadorias desconhecidas do Ocidente, que depois vendemos com grande lucro, que exploramos o ouro do Brasil gastando-o em coisas fúteis, enfim, um cem número de malfeitorias próprias de gente sem princípios nem decoro. Assim não sabem ou não querem fazer um museu dos descobrimentos porque a palavra soa mal aos ouvidos dos ilustres e dos sábios de alguns dos teus filhos! Já viste onde nós chegamos? Eu que sempre tive orgulho naquilo que tu realizaste pelo mundo (embora nem tudo fosse correto), que li e reli “Os Lusíadas”, que venero Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, Afonso de Albuquerque, Afonso Henriques e tantos outros! Sou considerado fascista se me vanglorio de tantos dos teus filhos que, entre Espanha e o mar, resolveram escolher o mar para saírem do sufoco do pequeno retângulo! Quantos desses ilustres se entenderão para mostrar aos estrangeiros que agora nos visitam, em tão grande número, que não somos uma província de Espanha? Será que eles é que estão certos e eu estou errado ao orgulhar-me dos meus antepassados (insisto: embora com grandes defeitos?). Não vejo nos outros países da Europa uma mentalidade semelhante porque é gente verdadeiramente culta, orgulhosa da sua nação sem falsos patriotismos. Até nisto somos pequenos! Esses ilustres nem sequer chegam aos calcanhares dum Camões, dum Alexandre Herculano ou dum Fernando Pessoa, só para citar alguns. Fica sossegado, Portugal, porque já dizia Camões: “entre os portugueses alguns traidores houve algumas vezes”. Eu continuo a ter orgulho em ser português com todos os defeitos que nós tenhamos.

Um grande abraço.

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