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Hermenegildo Sales Belo Catarino

Eis o nome de um homem que entre nós viveu, aqui deixou a marca dos seus passos, não como quem passa indiferente pela espuma dos dias, mas quis ser interveniente e participar no percurso humano dos seus contemporâneos. Grande parte da sua vida foi passada nas margens do Almonda e, diríamos, que é muito mais torrejano do que muitos que aqui nasceram. Nasceu no início do século XX e veio a falecer em 1980 depois de uma vida em que soube buscar a plenitude nas coisas simples. E não se escondeu na mesquinhez de uma existência qualquer mas esteve aqui sempre pronto a uma intervenção cívica. Entre outras actividades foi director do Clube Torrejano, fez parte da Comissão pró-Torres Novas que tanto contribuiu, em determinado tempo, para divulgar e desenvolver a então vila almondina. Mas a herança maior que nos deixou foi um livro. Um livro que agora surgiu entre nós e que sua filha viria a encontrar perdido no pó do tempo. Pétalas, um livro de versos que surpreende pela beleza e pela autenticidade com que o acto poético aqui nos é oferecido. Poesia bem enraizada na nossa tradição lírica, regresso à matriz clássica, com ecos de influência de outros grandes poetas, mas de uma inegável originalidade. Alegro-me porque este livro não ficou para sempre perdido e, como foi sonho do seu autor, ele agora aí está publicado. Não haverá, do autor, mais poesia perdida entre papéis a pedir para resistir ao negrume tempo? É que, além do mais, a poesia é o testemunho existencial de uma vida que recusa um caminho de indiferença e de perdição.

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