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Os enfermos da vila

“– Para onde vais mulher nesse andar desorientado? Respirai fundo. Agora dizei-me o que se passa?” “– Mestre António meu senhor, podeis fazer uma mezinha para o rei e a sua corte mudarem os pensamentos?” “– Explicai-me melhor o que te vai na amargura da tua voz?” “– É muito simples. Fui ao castelo saber se os enfermos e reformados por invalidez tinham desconto no preço da entrada da feira que se aproxima. Até mostrei o pergaminho comprovativo. A resposta foi dura e curta. Cada castelo tem as suas próprias regras e teria de pagar os mesmos dízimos que o resto do povo. Lembro-me dos que estão numa cadeira de madeira com umas rodas difíceis de andar e também dos que andam com dificuldade.“ “– Compreendo perfeitamente e é triste o rei fazer diferença entre as pessoas.” “– E mais lhe digo que este rei trabalhou em tempos numa casa onde estavam essas pessoas que precisam de ajuda. Como poderá ter-se esquecido deste povo tão especial?” “– Tendes razão. Mas que poderei eu fazer? Sou um simples curador de males e feridas.” “– Meu Deus, nesta vila tudo se paga, imagine Mestre António que as tavernas que estão abertas todo o ano terão de pagar muitos dízimos se quiserem servir os seus produtos ao ar livre.” “– A sério? Mas o rei devia apoiar de forma gratuita ou então cobrando apenas poucos dízimos aos comerciantes de cá.” “– Os taverneiros estão revoltados com tamanha falta de respeito. Eu sou mulher do povo com os olhos bem abertos escutando o que se apregoa e falando a quem confio. Mesmo assim tenho de me proteger não vá a corte queimar-me na fogueira como fazem às bruxas desvairadas com as suas profecias malditas mas verdadeiras.“ “– Quando tiver oportunidade darei uma palavra ao rei acerca destes assuntos que me confiou. Não mencionarei o seu nome, esteja descansada.” “– Agradeço-lhe profundamente mas não sei se o rei e a corte vão aceitar o seu pedido. Infelizmente o rei anda nu de bons pensamentos e atos justos. Adeus e até outro dia.” Este diálogo jocoso e formoso é apenas uma chamada de atenção a quem de direito, para que se pense nos reformados por invalidez com incapacidade com mais de 60% na possibilidade de terem um desconto como os reformados com mais de 65 anos, para o ano que vem na Feira Medieval de Torres Novas.

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