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Heróis desconhecidos

A propósito das várias greves que ultimamente se têm sucedido a um ritmo acelerado, confesso a minha indignação no que se refere a duas classes profissionais de capital importância em qualquer sociedade e, por maioria de razão, numa sociedade dita democrática. Refiro-me aos médicos e aos professores com um interesse especial por estes últimos pois nunca me desliguei dos seus problemas. Toda a minha vida profissional foi dedicada ao ensino por isso estou à vontade para falar desta classe profissional com conhecimento de causa. Isto sem lamentar o estado atual dos profissionais médicos.
Ultimamente causou grande celeuma o estatuto remuneratório dos deputados e das suas viagens pagas, com lucros, pela Assembleia da República. Na minha ingenuidade fiquei escandalizado com os abusos e com as desigualdades remuneratórias dos deputados, no que diz respeito às deslocações pagas àqueles e àquelas que, mesmo vivendo em Lisboa, são subsidiados pelas viagens fictícias às moradas indicadas pelos mesmos fora da capital. Se são deputados e têm de morar em Lisboa onde desempenham os seus cargos, que direito lhes assiste de cobrarem as viagens aos locais onde dizem habitar? E então uma pergunta me vem ao espírito, pergunta essa que todos os anos me incomoda aquando da colocação dos professores: um professor é colocado a cem ou duzentos quilómetros de sua casa. Quem lhe paga a deslocação? O seu parco ordenado. Sim, porque se desenganem as muitas pessoas que pensam que os professores ganham mundos e fundos. A sua função é primordial porque são eles os formadores das gerações futuras. Quanto melhores forem, melhor será a sociedade futura. E repare-se que esses professores nem tempo terão de ler os jornais ou de fazerem pausas quando muito bem lhes apetecer ou de comerem nos melhores restaurantes como os representantes da nação. Será justo’ E todos os anos é o mesmo calvário: palmilham centenas de quilómetros para no fim do mês ficarem com metade ou menos dos seus vencimentos. Será justo? O deputado que falta a uma ou duas ou mais reuniões será penalizado por isso? Já o professor o é. Será justo? O deputado terá todas as garantias de segurança por ser representante da nação. E o professor pode ser desconsiderado pelos pais dos seus alunos, quando não pelos próprios alunos. Que segurança terá? Será isto justo? Apetece-me, para terminar, citar o provérbio português: “Quem semeia ventos, colhe tempestades”. Quem assim trata os seus professores terá como resultado uma juventude medíocre e insolente, exigindo só direitos sem quaisquer deveres. Assim vai este país!

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