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O Espírito Santo e nós

Na sua missão, os Apóstolos tinham experiência vivida e consciência clara de que a força que os movia, a coragem com que enfrentavam as perseguições, a sabedoria que mostravam no anúncio do evangelho e a orientação que davam à vida da Igreja não provinham das capacidades deles. Agiam com a força que Jesus lhes prometera: “Recebereis uma força vinda do alto e sereis minhas testemunhas”(At 1,8). Neste contexto, compreendemos a forma como apresentam as suas decisões e mensagens: “O Espírito Santo e nós”; ou “nós em união com o Espírito Santo”. Agiam realmente em união e sintonia perfeita com o Espírito Santo. Ainda hoje, todos devemos procurar agir sob a inspiração do Espírito Santo. Os que vivem segundo o Espírito experimentam a mesma alegria e bondade, mostram também disponibilidade, humildade e entrega à missão que lhes é confiada. No entanto, não é garantido que todos os que afirmam que estão inspirados pelo Espírito Santo não se enganem. Pode ser presunção e ilusão. É possível, e muitas vezes tem acontecido, alguns equivocarem-se e atribuir ao Espírito Santo os desejos pessoais. Por isso, como a igreja sempre afirmou, é necessário o discernimento feito pela comunidade cristã e seus orientadores. É a Igreja que faz o reconhecimento dos carismas do Espírito Santo. O Livro dos Atos mostra-nos alguns critérios de discernimento da presença e dos carismas do Espírito Santo. Um primeiro é a humildade, a procura e a invocação do Espírito. Por exemplo, na preparação do Pentecostes: “unidos pelos mesmos sentimentos entregavam-se assidua- mente à oração” (At 1,14). O estar reunidos e unidos nos mesmos sentimentos é constantemente referido neste livro de São Lucas como uma nota caraterística dos cristãos. Não é apenas uma proximidade física, é também espiritual, amiga, afetiva, solidária (“um só coração e uma só alma”, At 4, 32)) . Concluímos, pois, que o individualismo fechado ou a vontade de protagonismo pessoal, tão frequentes, são obstáculos à condução do Espírito Santo. A escuta da voz do Espírito Santo, que ressoa nas Sagradas Escrituras e a oração assídua são outros requisitos para se deixar conduzir pelo Espírito Santo. Ele é luz, sabedoria e força espiritual mas precisa da nossa disposição interior de procura, abertura à sua novidade, desprendimento pessoal e atenção aos outros e aos sinais da Sua presença. Nesta perspetiva vemos, no mesmo livro bíblico dos Atos, como todos se escutam mutuamente, os apóstolos uns aos outros e aos fiéis. Todos são chamados a pronunciarem-se sobre as decisões importantes e é a comunidade, no seu todo, que se sente envolvida. A autossuficiência (o pelagianismo que o papa Francisco tanto lamenta) é outro impedimento sério à identificação com o Espírito. Preparemos, pois o nosso coração para receber o Espírito Santo em maior abundância pois Ele é fonte de alegria, de união sólida a Deus e de rejuvenescimento.

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