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Autenticidade e Liberdade

Conhecer é uma aspiração humana. O ser humano tem sede de conhecimento. Vai buscá-lo nas encostas do mundo e nos recôncavos do seu ser. Descobrir e conhecer são fenómenos complexos. E a autenticidade é conquista e conhecimento alvissareiro, que só se consegue pelo conhecimento de si. Neste conhecimento de si, compensa atravessar vigílias e trilhas, veredas e pântanos para alcançar a autenticidade. Enquanto existirem autênticos dispostos a vivenciar a autenticidade, o projeto humano viverá. Por outro lado, sem a autenticidade, ou estando a autenticidade encoberta pela má-fé, o ser humano viverá sem projetos salutares. A autenticidade clareia a vida. Sem a autenticidade, a existência é sombra. A autenticidade gera verdade. Onde falta a verdade, instala-se lacuna existencial. A invasão da falsidade expulsa a autenticidade. Quem não possui autenticidade está corroído por dentro. Impregnar-se de autenticidade é humanizar-se. A autenticidade é adquirida pelo conhecimento da verdade de si que está camuflada. A verdade mostra o que existe e o que não existe. A autenticidade desvela o que está velado. A humanidade nem sempre procura a autenticidade e pode asfixiá-la. Setores corruptos da so- ciedade associam-se para impedir a autenticidade. Sem honestidade, a inautenticidade torna-se um produto de barganha, ao passo que a autenticidade só pode ser honesta, por isso, um projeto ético. Autenticidade vem do latino authenticus, que significa, não falso, nem copiado, genuíno. A autenticidade gera coerência. A incoerência fragmenta o ser humano. Desunifica a personalidade. Esmaga o tecido social. A incoerência instala irresponsabilidades porque sua atitude contradiz a atitude anterior e por ser ilógica, descaracteriza o ser humano, que passa a ser um sim que se torna não, em cada esquina. Há diversas formas de coerência, mas o que nos interessa é a coerência que se afirma na liberdade, a coerência que se articula numa psicologia equilibrada e se harmoniza na razão. Esta coerência é autêntica e é ela que interessa às nossas crianças. Pois somos livres e podemos escolher não sê-lo, mas de qualquer forma, somos livres.

 

Durval Baranowske, diretor

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