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Igreja em crescimento

No Livro dos Atos dos Apóstolos, que nos acompanha nas celebrações da Eucaristia ao longo do tempo pascal, é recorrente a referência ao crescimento da Igreja das origens. Um crescimento impressionante pois, naqueles primeiros anos, a Igreja fortalecia-se a nível interno e crescia em número de membros. A assiduidade ao ensino dos Apóstolos, à Eucaristia e às orações solidificava a união fraterna dos crentes. E a vida admirável das comunidades irradiava, conquistava a simpatia do povo e levava ao aumento dos discípulos (At, 2 42-47; 6,7; 5, 14…). Como refere um resumo: “A Igreja (…) crescia como um edifício, caminhava no temor do Senhor e, com a assistência do Espírito Santo, ia aumentando” (At 9,31). Estas afirmações correspondem à realidade histórica que conhecemos. De facto, em poucas décadas, o cristianismo espalhou-se pelas grandes cidades conhecidas do mundo. Cumpriu-se verdadeiramente a promessa de Jesus: “ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo” At 1,8). A força do Espírito Santo desceu realmente sobre eles no Pentecostes. Havia grande expetativa sobre as manifestações da vinda do Espírito Santo pois, até essa altura, este dom era reservado a pessoas com uma missão especial. Que frutos iria despertar nos fiéis comuns? A sua vinda não defraudou as expetativas. Na realidade, provocou uma mudança profunda das pessoas e das comunidades. Tornou-se, de facto, fonte de coragem, de alegria, de amor fraterno, de entrega à missão. Mudou os apóstolos, os crentes, fortaleceu as comunidades e impulsionou a difusão do cristianismo. O Espírito Santo é o grande protagonista do crescimento da Igreja das origens. Atualmente parece que o cristianismo, em vez de crescer, recua. Designadamente na Europa de onde, no passado, partiram tantos missionários e que hoje é um país de missão a necessitar de um recomeço da evangelização. O que nos falta para crescer? O Espírito Santo ainda hoje é comunicado aos fiéis. Será que O acolhemos, O escutamos e nos deixamos conduzir por Ele? Para que o Espírito Santo nos possa transformar e fazer crescer a Igreja, segundo o Livro dos Atos, há uma disposição prévia que temos de revestir: a vontade de mudar, o reconhecimento que temos muito que melhorar, a convicção de que é necessário superar fragilidades e lacunas. É esta disposição que vemos nos primeiros convertidos no Pentecostes: “Que havemos de fazer, irmãos?”. E os apóstolos responderam: “Convertei-vos e peça cada um o batismo e recebereis então o dom do Espírito Santo” (cf At 2, 37-38). A conversão começa sempre por cada um para chegar à comunidade. Para formarmos comunidades vivas e missionárias, todos precisamos de conversão pessoal, de conversão pastoral e de conversão missionária.

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