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De médicos (veterinários) e loucos, todos temos um pouco

Quero adotar um animal – I

Por: Telma Gomes

Em pouco tempo, a minha casa ganhou dois novos habitantes: um cão e um gato. A adaptação não foi simples e implicou algum esforço e alteração de rotinas. Eu própria, que sempre tive animais, que os estudei e que trabalho com eles, tive dificuldades, por isso, desta vez escrevo-vos sobre a entrada de um novo animal na nossa vida. De um modo geral, quer se opte por adotar um cão, quer se opte por um gato, dever-se-á ter em consideração vários aspetos: tenho outros animais? Se sim, são sociáveis e saudáveis, com desparasitação e vacinação em dia? Como vou fazer para gerir os primeiros dias, em que podem ocorrer confrontos físicos entre os patudos que já tenho e este que agora recebo? E qual o espaço em que vou colocar o animal? Moro num local com vizinhos complicados em relação ao barulho? Moro em apartamento ou moradia? Tenho tempo para brincar, passear, alimentar, limpar a areia, levar ao veterinário? E gastos com a saúde? Tenho uma situação económica estável, que me permita alimentar convenientemente o meu novo amigo, vaciná-lo, desparasitá-lo, esterilizá-lo, para prevenir a ocorrência de doenças infeciosas/ parasitárias, cios barulhentos e sanguinolentos, comportamentos territoriais, gestações indesejadas, infeções uterinas e tumores mamários? E mesmo assim, quando as doenças surgem? Tenho possibilidades de lhe proporcionar cuidados de saúde? Muitas questões? A ponderação de avançar com a adoção de um animal pode dar alguma dor de cabeça… No meu caso, implica também um telefonema existencial com uma grande amiga, que também é veterinária. Não é por sermos veterinárias que a adoção de animais é mais fácil. Tal
vez, por nos depararmos frequentemente com situações em que esta ponderação não foi feita, tenhamos a necessidade de escrutinar quase ao detalhe as nossas vidas, de forma a perceber se a vontade de adotar é acompanhada da possibilidade de o fazer. Ainda questionamos outros aspetos: moro sozinho(a) ou acompanhado(a)? Todos concordam com a presença do animal em casa? E com quem o vou deixar nas férias? Deixo com um familiar/amigo/vizinho? Deixo num hotel? Faço a última pergunta, que aprendi recentemente: o meu estado de saúde permite-me a introdução de um animal em casa? Não vão querer adotar um novo animal, que seja apenas responsabilidade vossa, se não tiverem autonomia para cuidar de vocês próprios, em primeiro lugar. Ponderação feita e voilá: nada me tira a felicidade de partilhar momentos da minha vida com os meus bichos aqui de casa.

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