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Sobre o dia do trabalho e da escravidão

O mundo que vivemos é resultante da ação humana. É um mundo que não mais podemos chamar de natural, pois se encontra cada vez mais humanizado pelo trabalho do homem. A cultura, ao mesmo tempo que transforma a natureza, altera o próprio homem destruindo sua condição natural e sua liberdade. Parecida com o trabalho, a escravidão foi uma atividade baseada no castigo, na ausência de direitos, onde ganhavam-se para comer. No contexto social de nossos tempos, algo semelhante à escravidão ocorre nos sistemas atuais, onde a divisão social privilegia alguns e submete a maioria a um trabalho imposto, rotineiro e nada criativo, sem rentabilidade, nem liberdade. Esse tipo de trabalho, ao invés de promover o homem, destrói sua liberdade natural. A escravidão antecede os cativeiros e as prisões. Os egípcios de todos os povos são pioneiros em manter sob custódia seus escravos. Quem não conseguisse pagar os impostos ao faraó deveria trabalhar como escravo. Os delitos considerados dignos de escravidão eram os endividamentos, a inadimplência de impostos, o ser desobediente, o ser estrangeiro, o ser prisioneiro de guerra. Assim como no Egito, na Grécia, na Pérsia, na Babilónia e em Roma, o ato de escravizar tinha como finalidade conter, manter sob custódia, tortura e em regime de trabalho pesado os que praticavam delitos de escravidão. Do Oriente Médio veio a ideia de manter sob escravidão, a prole do escravo, a estes deu-se o nome de filhos da servidão eterna, que em latim chamaram-se tripaliare, os trabalhadores. Trabalho e escravidão são sinónimos. A história do sistema escravocrata está tatuada nas nossas sociedades e o trabalho alienado dar-se tal qual a escravidão. A não submissão a este sistema ainda nos leva à prisão e as penas e perdas são irreparáveis. Não se submeter ao domínio físico dos impostos, das taxas, das leis de consumo e alienação, ainda hoje, nos bane da sociedade e nos faz perder a condição de cidadãos. Nos dias de hoje, discute-se muito a situação do trabalho precário e seus direitos inumanos. Por outro lado, discute-se também o lado dos lucros, do poder e da cultura que é a origem da eterna escravidão dessa massa chamada trabalhadora, que grita no dia primeiro de maio: Viva o dia do trabalhador! “A Paixão de Cristo parte foi de noite sem dormir, parte foi de dia sem descansar, e tais são as vossas noites e os vossos dias”. Padre António Vieira.

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