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E se fosse à sua porta?

Primeiro vieram os homens. Observaram o terreno. Conversaram. Depois vieram as máquinas. Escavaram buracos enormes onde colocaram tubos em cimento de grandes proporções. As ruas, já por si pequenas, ficaram rasgadas, nuas de alcatrão, cheias de pó quando o sol teima em ir-se embora e enlameadas quando a chuva não dá tréguas. Fomos assistindo a este circo montado no lugar errado. Questionei o senhor Presidente da Junta de Freguesia de Lapas e a resposta foi que o projeto quando lhe foi parar às mãos já não podia ser alterado. Fiquei desconfiada e perguntei a um engenheiro da empresa que cá estava se o que estava a ser construído cá em cima não poderia ser lá em baixo no campo de futebol de Lapas. Respondeu-me que podia sim senhor. Fiquei completamente enfurecida pois vi árvores que nos faziam sombra e davam frutos a serem deitadas abaixo. E o pouco espaço que já tínhamos direito foi ocupado por uma espécie de uma “estação” de tratamentos de dejetos humanos que são bombeados para a ETAR. Entretanto a empresa terminou o seu serviço e o mau cheiro sente-se quer de dia quer de noite. Nunca mais veio cá ninguém de direito. É uma vergonha. Vou ao quintal e a dois metros tenho a bela horrível paisagem do que fizeram. Será legal? Se um dia quiser vender a minha casa terei de baixar o preço? Será seguro respirar este fedor sendo eu uma pessoa com menos defesas devido ao cancro que tive nas vias respiratórias? Será que isto é conseguir viver feliz como o senhor Júlio Clérigo disse na inauguração do Centro de Interpretação das Grutas de Lapas? Não vivemos na aldeia mas o Bairro da Cabrita ainda pertence à freguesia em questão. Como é possível haver tanta falta de respeito para com o ser humano. Chocam-me estas atitudes, este abandono, esta falta de apoio. Só prometem nas campanhas eleitorais. Não consigo deixar passar este assunto. Pensam que estou a mentir ou a ser demasiado dura nas minhas palavras? Então saiam da vossa zona de conforto e venham ver com olhos de ver esta maldita obra que poderia ter sido feita fora do bairro. Não consigo ver o meu bairro perder a identidade própria. Vou onde for preciso para que tudo seja resolvido o mais breve possível. E se fosse à sua porta senhor Júlio Clérigo e outros tantos senhores e senhoras do poder, ou mesmo um mero cidadão?

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