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A pinheira

Paro o carro debaixo da árvore. Saio. No miradouro aberto sobre a paisagem, empedrado, está um homem sentado. Bom dia. Bom dia. No ar está suspensa uma humidade que torna tudo muito limpo. Bonita vista…. Concorda comigo mas não se levanta, fica de costas, virado às casas. Uma pessoa que esteja aqui todos os dias já deve estar habituada… Levanta-se finalmente e aproxima-se a medir-me da cabeça aos pés. Apresento-me. Temos o mesmo nome. É de que ano? 42! É fácil de fazer as contas eu sou dum ano com essa terminação, 20 mais novo. Agora olhamos os dois o horizonte. O vale à nossa frente está rodeado de colinas. Puxo conversa para a agricultura. Foi um bom ano de azeite! Ainda é tempo de podar figueiras? Foi bom ano de azeitona sim, quanto às figueiras agora já sangram muito, não é bom podar. Há oliveiras que descem pela encosta, ao longe, bem tratadas. A maior parte afogada no matagal e carvalhos. Isto era muito dife- rente, agora é só matos! Ao fundo, contra abaixo da linha do céu, contra o horizonte os prédios altos de Torres Novas. A meio cami- nho, um cabeço, mais abaixo, a Ribeira Ruiva. O Almonda no vale acompanha- do por árvores. O rio tinha tantas árvores? Não! Agora nem se pode chegar ao rio com tanta silva, nem há animais, os caçadores queixam-se nem coelhos, o que há aí agora é javalis. Fala-me com saudade e raiva duma paisagem que a natureza parece reclamar ao homem, lentamente, sem retorno.
Trocamos

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