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QUO VADIS, Portugal?

Para onde vais, ó Portugal? Ao ler todos os dias a imprensa escrita, dou comigo a olhar para um lado e para o outro como se chegasse a uma encruzilhada, desorientado, não sabendo qual a estrada certa do meu peregrinar. O Governo afirma que virou a página da austeridade, mas nunca tivemos tantos impostos, nunca o monstro das Finanças engordou tanto, nunca injetámos dinheiro em bancos falidos e até na Caixa Geral de Depósitos. Nunca, como hoje, vimos tantos sectores fazerem greve; nunca como hoje pasmamos com a incapacidade e falta de condições no Serviço Na- cional de Saúde. Só uma pequena enumeração: polícias, guardas prisionais, exército, enfermeiros, médicos, professores, precários do Estado, despejos a torto e a direito, jovens sem emprego e quando o têm não chega para pagar uma renda de casa. Acho que já chega de fastidiosa enumeração. Por outro lado o défice caiu, o desemprego baixou, os portugueses continuam a encher o Algarve nas férias da Páscoa e os hotéis já quase todos reservados para as férias de Verão. Os bancos continuam a emprestar e o número de famílias endividadas cada vez é maior. Para onde vamos? Quo vadis? Como cidadão normal só me espanta a relativa pacatez do cidadão comum e a nossa eterna indiferença relativamente à coisa pública (res publica). A ganância do Estado, dos senhorios que pretendem enriquecer despejando os pobres porque o Turismo está a dar, os professores de todos os ciclos que nunca foram tão mal tratados, são realidades que só não vê quem não quer. Com tudo isto só retiro a seguinte conclusão: quando a manta é curta ou fica a cabeça de fora ou os pés. Li isto num jornal mas que vem aqui a propósito do dinheiro. Se os corruptos, os banqueiros imorais e incompetentes, os políticos arranjistas, o Estado omnipresente e despótico, não desaparecerem, tudo continuará como dantes ou pior que dantes. Como disse o Papa Francisco aos jovens, eu digo a todos os cidadãos: gritai o mais que puderdes pois é a única arma que tendes à vossa disposição. Reclamai alto e bom som, todos os dias, os vossos direitos, o sufoco que viveis todos os dias, o fim do mês que nunca mais chega. Piquetes diários de ululantes diante dos ministérios e repartições, greves aos impostos e a cadeia para aqueles que viveram à nossa custa e ainda se riem dos nossos direitos porque a justiça não chega a castigá-los.

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