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A Administração do Concelho no Período Sidonista (1918)

Órgão criado pelo Liberalismo (Dec. de 25/4/1835, consolidado pelo Cód. Admin. de 31/12/1836), representava no concelho o governo central. Foi extinto em 31/12/1927, passando os seus funcionários para o quadro da Câmara, a gestão para o presidente da Comissão Administrativa e em 1928, para um vereador responsável por esse sector. Em dezembro de 1917, na continuidade da revolução de Sidónio Pais, suspendem-se as Câmaras Municipais e nomeiam-se comissões administrativas. No período a que nos reportamos foram nomeados três administradores do concelho: o Dr. Augusto Moita de Deus (11/12/1917-25/12/1917), republicano unionista, que desiste, pela discordância da perseguição aos democráticos; Joaquim Antunes Galvão (26/1271917-22/4/1918), substituído pelo alferes João Tomás Gonçalves (23/4/1918- -23/3/1919), sidonista ferrenho, nomeado para controlar as eleições presidenciais e para deputados (3) e senadores (1), a realizar a 28 de Abril, e a gestão política do concelho. Os poucos elementos que possuímos permitem-nos saber que se temiam alterações à ordem pública, quer na freguesia da Mata (Lº Corresp. 1545, fls. 113), quer noutros locais, a ponto de ser solicitado ao Comandante da Escola de Equitação, a 26, o pôr de prevenção uma força de um oficial e 30 praças, para o que fosse necessário ( fls. 115). No dia seguinte, novo pedido, para o chefe do Estado Maior da 1º Divisão do Exército, com sede em Tomar, duma força similar, com a maior urgência, para o Entroncamento, onde se preparavam alterações da ordem pública, com o assalto à estação telegráfico-postal. Como as restantes forças partidárias, democráticos, evolucionistas e unionistas, e a UON (União Operária Nacional), não participassem nas eleições, concorrendo apenas o partido Nacional Republicano, monárquicos, o Centro Católico e os
socialistas, não é de estranhar que, nas freguesias urbanas, as eleições não sejam o que o poder desejaria. Veja-se que nesse mesmo dia eleitoral o administrador pede à Escola de Equitação duas forças para as assembleias de S. Pedro e Santa Maria, onde não se tendo concluído o acto eleitoral, se receavam desacatos. A força militar guardaria os documentos e as urnas. (fls. 128). Não há informação sobre os resultados eleitorais, embora a correspondência informe que seguiram a 2 de Maio para o presidente da Comissão Central de Apuramento da Eleição do Presidente. (fls. 302,303) Em Junho, solicita à Escola forças, devido à greve ferroviária, para manter a ordem no Entroncamento. A 5, estando o Entroncamento já sobre domínio militar, envia ao comandante das tropas cópia do telegrama do Governo Civil, em que «fica intimado o pessoal da companhia com sede em Lisboa a apresentar-se ao serviço antes das 14 horas do dia 5, devendo o da
província efectuar a sua apresentação até às 10 horas do dia 6. Todos os que não obedecerem a esta intimação consideram-se demitidos, devendo caso habitem em edifícios da Companhia deixá-los devolutos no prazo de 24 horas».
Em Julho, informa o Governador Civil que os chefes das estações telegráficas do concelho, embora sem filiação partidária, são de inteira confiança e apoiam a actual situação política… Já os dois distribuidores não merecem confiança. (Lº 280, Telegramas nº 18, 4/7). Sobre a greve dos ferroviários em Julho, informa: «apurei sobre a greve que o pessoal ferroviário e telégrafo-postal foi convidado a aderir, mas que se recusaram». Mas acrescenta que na Praia (do Ribatejo) se reúnem alguns elementos reconhecidamente desafectos ao regime, entre eles alguns dos oficiais que se encontram em Tancos (Nº 19, 10/7). Em Agosto, acusa o sargento da Guarda Nacional Republicana da vila de estar feito com os democráticos, não cumprindo as ordens como devia. E avisa o governador «declaro a V. Exº que a não sair o sargento, sairei eu… e deixarei a administração do concelho de Torres Novas (Nº 20, 15/8). Mas o problema ainda não está solucionado em Setembro, já que, a 18, informa que “o sargento Maurício dos Santos Vilas… segue a política democrática, não sendo pois afecto à actual situação política, de que tem dado provas». (Nº 25, 18/9).
Os próprios funcionários da administração, Artur Ferreira Pires, Francisco Ferreira Rafael, sofrem perseguições, por posições assumidas em público contra o governo, sendo transferidos para a prisão de Santarém. (Lº 1546, fls 442,459) Em Novembro, pede guia do caminho de ferro para Lisboa para o preso Manuel Ferreira Mogas, como agitador da greve ferroviária. (Lº 1547, fls 82, 20/11). A 14 de Dezembro, entrega ao comando militar de Torres Novas Joaquim Antunes Amora, moleiro, que «no dia em que nesta vila se festejou a armistício levantou vivas ao Dr. Afonso Costa e morras ao presidente da república Dr. Sidónio Pais. Mas, «ontem», a propósito do atentado de que foi vítima o mesmo Sr. Presidente da República, fez no café Silva, desta vila, a apologia desse referido atentado e referiu-se ao Dr. Sidónio Pais em termos inconvenientes, chamando-lhe malandro. (fls. 174). A 17, cabe a vez ao oficial de diligências João Coelho, por atitudes de regozijo pelo assassinato de Sidónio (Idem, fls. 175). Até ao fim do mandato, a defesa do Sidonismo, já derrotado, foi uma constante da sua actuação.
antoniomario45@gmail.com.

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