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A lutadora das causas justas

A história que vos vou contar é simples, honesta e pequena. Há uns anos nasceu uma menina que brincava numa mina abandonada; que subia às árvores; que mergulhava no labirinto do campo. Essa menina estudou num colégio de freiras onde havia disciplina, solidariedade, egoísmo, snobismo, amizade, alegria e esperança. Foi crescendo e desenvolvendo a sua maneira de estar no mundo, de encarar a realidade tal como ela era. Sofreu, bateu, caiu, levantou-se. Mas nunca baixou a cabeça perante os po
derosos. A submissão nunca fez parte do seu dicionário. Viu, observou e um dia vomitou tudo num papel que ficou colorido de palavras sinceras e nunca inventadas. Palavras duras, fazem parte pois ela não é falsa. Não regista apenas momentos idílicos na sua máquina digital e partilha-os. Ela nunca dorme. Regista paisagens absurdas duma cidade subnutrida de limpeza e afins. Ela não usa salto alto, nem vestidos longos mas sabe comportar-se em todos os lugares. Ela é uma espécie de calcanhar de Aquiles nos sapatos de al
guns, porque ao lerem as suas crónicas ficam incomodados. Mas ela não consegue fechar os olhos perante a hipocrisia, a espera, a tempestade. Ela não vai ceder. Afinal o 25 de Abril acabou com a censura. Ela é um ser livre. Não gosta de prisões de pensamento, de ocultação de diálogos. Ela é frontal. Ela erra, mas quando erra pede desculpa. Não vira as costas, não foge mesmo que a ignorem. Felizmente continua cá a viver e quer queiram quer não será sempre uma lutadora pelas causas justas.

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