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Pastéis de Nata mereciam DOP

Um ex-ministro, aquele que pediu que o tratassem por Álvaro, perguntou em 2012: “Porque não existe um franchising de pastéis de nata?” Como alguns leitores se recordarão, foi uma galhofa total por parte dos “média” do costume. Ideias que não venham do quadrante sinistro que os subornou são logo ridicularizadas. Atitude análoga à dos pides ao colarem o rótulo de “comunista” a qualquer opositor ao antigo regime. Assim, a ideia expressa por Santos Pereira gerou uma onda de piadas. Os portugueses desperdiçam oportunidades para valorizar o que têm e os pastéis de nata são um exemplo. Um produto emblemático da pastelaria tuga que se destaca na doçaria universal. Um bolo que esteve associado a um local específico (Belém) e agora pode ser engendrado com o mesmo nome em qualquer sítio onde misturem ovos, farinha, açúcar, leite e massa folhada. Permitiu-se que da Austrália a Paris, passando pelos supermercados de Ottawa, se apropriassem dessa designação famosa. Algo que os franceses teriam protegido ferozmente e conseguiriam fazer fortunas com ela. O leitor que tente vender queijo azul velho e o chame Roquefort. Não esperará muito para ser levado a tribunal. De Gaulle dizia que não era fácil governar uma nação com 246 queijos diferentes, mas assegurou sempre o controlo das respectivas denominações. O deixa-andar luso encorajou todo o tipo de abusos. Há no presente governo partidos que são contra a UE, mas é ela que nos tem valido na defesa das “denominações de origem protegida”(DOP). O mundo caminha para uma grande guerra comercial e os europeus devem bater o pé em defesa dos seus produtos. Esperemos que não se esqueçam de Portugal em Bruxelas, pois há por aqui quem não se importe e até se dê ao luxo de amesquinhar os que apresentam iniciativas fora do controlo da demagogia dominante.

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