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Os namoros antigos e as tecnologias

Hoje venho falar-vos, em especial aos mais novos, que nos meus tempos de namoro, por volta dos anos sessenta/setenta do século passado, para se conquistar uma miúda era preciso muito trabalho, fazerem-se “muitos olhinhos” e ter a sorte de se encontrarem, se bem que esses encontros não eram muitas vezes coisas do acaso, pois ali já havia caso sério. Olhava-se fixamente nos olhos da pretendida e ela, também com o olhar ou com sorriso maroto dava logo abertura para que o namoro se pudesse iniciar. Mas os pais desse tempo eram muitas vezes um grande obstáculo, pois menina séria que se prezasse não andava por aí com este ou com aquele, para que se evitassem falatórios. O namoro começava quase sempre com troca de bilhetinhos de amor a marcar encontros fortuitos, levados e trazidos por um ou uma colega amiga dos dois. E é aqui que entra a falta que fazia a inexistência na maioria das casas de um telefone fixo, pois ainda não se sonhava com telemóveis e os encontros ao perto ou à distância resumiam-se a um ou outro baile particular, ou nas missas ao domingo, com troca de olhares contentavam-se assim os corações. Reparem bem agora os mais novos, como seria difícil o início dos namoros e mesmo o dia a dia, em que quase nunca se falava com a rapariga ou rapaz amado. Havia também o ritual de se ir pedir autorização aos pais da moça, autorização para namorar e da resposta depender a evolução do assunto. No meu caso esperei o pai da pequena e interpelei-o e em resposta disse-me que não era assunto para ser tratado ali na rua e que fosse lá a casa por volta das nove horas da noite desse mesmo dia. E lá fui eu, com o rabinho entre as pernas, disse ao que ia na presença da namorada e da sua mãe, o homem não se opunha, a mãe também não e logo ali me ditaram as regras da casa e como devia proceder no namorico. Felizes ficámos e namorámos nove anos, sem telefone fixo, sem telemóvel, sem skype nem smartphone. Abençoados bilhetinhos. Confesso que foi o Phydellius que nos ajudou a encontrar-nos nos ensaios e nas atuações. De resto era à porta da casa dela, era da rua para a varanda e nalgumas reuniões de família. Falar um com o outro seria tão bom se houvessem telemóveis nesse tempo. Que os novos agora aproveitem as novas tecnologias, pois com esses instrumentos é fácil a comunicação. Mesmo assim tenho imensas saudades dos meus tempos de namoro e tenho a certeza que os leitores da minha idade sentirão o mesmo.

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