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Vem aí mais um 25 de Abril

Depressa aí estará mais um 25 de Abril e uma nova cerimónia onde – caso se siga o figurino usual – num espaço capaz de albergar a multidão, iremos ter algumas pessoas de cravo vermelho ao peito a discursarem para pouco mais de duas dúzias de outras tantas, também de cravo vermelho. E estes, nos tempos certos irão bater as palmas da praxe. O ano passado isto foi na Praça dos Claras. Bem se justifica a comemoração desta data histórica, com a liberdade de cada um a fazer como melhor entender e puder. A minha geração viveu a adolescência e a juventude submersa num tempo cinzento em que não havia liberdade de opinião, de expressão e de imprensa. E a falta das mesmas, motivava o pior do regime político deposto em 25 de Abril de 1974, ou seja: censura oficial, polícia politica (PIDE/DGS) com uma rede de informadores que tudo vigiava e de tudo dava conta, presos políticos e uma guerra colonial que – nas condições da mesma – se sabia de ciência certa, conforme me foi ensinado durante a recruta na Escola Prática de Infantaria em Mafra, não ser possível vencer sendo que, e apesar dessa evidência ali ensinada, se continuava a mandar a juventude para a mesma. Tal como a generalidade do povo, celebrei por isso com alegria e esperança o fim desse tempo cinzento e a chegada da bendita liberdade, a qual cumpre defender sem hipocrisias ou cedências ao politicamente correcto, agora tão em voga. Por isso, venho aqui fazer um apelo a quem este ano for botar discurso nas comemorações do 25 de Abril – dia da Liberdade – para que se abstenha de incluir nas suas palavras quaisquer tipo de críticas ou queixinhas, contra a imprensa cada vez mais rara que resiste a ser domesticada e que cumpre a sua obrigação de exercer o direito à denúncia e à crítica, favorecendo com isso o conhecimento e discussão dos assuntos, essenciais à saúde da Democracia. Ou seja, que não se repita o que se terá verificado o ano passado. (ver “O Almonda” de 28/04/2017). Porque, embora vivamos um tempo em que parece ser moda por parte dos poderes a critica à imprensa infiel, no caso da situação se repetir corre-se o risco das referidas celebrações, ficarem cada vez mais ao nível dum ritual hipócrita e sem sentido e à margem da já escassa participação popular. E o 25 de Abril merece muito mais. É o apelo que aqui deixo em meu nome e – estou certo – de todos os que amam a liberdade conquistada vai fazer agora 44 anos.

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