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Domingo de Luz

-“ Será que hoje é no centro comercial que vão encontrar alegria?” – Perguntava o senhor padre na missa das 12 horas, naquele domingo de Páscoa. No meu entender a mensagem que ele transmitiu foi para as famílias se juntarem em convívio entre si evitando uma ida para o interior dos espaços comerciais cujos patrões nestas datas obrigam os seus funcionários a trabalhar. Adiante que a Francisca vai ser batizada e assim fará parte da comunidade cristã. Fixei meus olhos naquele rosto rosado e bonito. Emanava uma calma ternurenta ao colo do seu progenitor. Não chorou, não esganiçou, apenas esperou. O coro rejubilou, o povo escutou, o senhor padre informou. Saímos e fomos atacar um cabrito criado na Serra de Aire acompanhado por grelos e um arroz de miú
dos. Para a sobremesa doce de figos com uma bola de gelado. Simplesmente maravilhoso manjar. Acrescento uma palavra de apreço pela simpatia e profissionalismo dos empregados de mesa. Com o estômago reconfortado o melhor seria um passeio pela cidade. Fomos de rua em rua mergulhando nas vitrinas do comércio local. Todas encerradas como era de esperar. No entanto o comércio chinês estava aberto para não variar. Dois rapazinhos sentados com um telemóvel nas mãos. Ali, sozinhos, amorfos a deixarem a vida passar lá fora. A deixarem de brincar na rua, no jardim, a jogar à bola, a fazer coisas para a sua idade. Nunca vou conseguir compreender estas leis do comércio; nunca vou entender que raio de cultura é a destas pessoas que fazem na loja uma
vida. Tomam o pequeno-almoço, almoço e quem sabe o jantar. Podem não ter clientes mas têm sempre as portas abertas. De volta ao sol brilhante. Ficamos contentes por o nosso rio Almonda estar tão limpo. Contemplamos os patos gorduchos e os peixes que tentavam roubar alguns pedacinhos de pão que alguém atirava para a água. Felizmente o jardim das rosas estava bem composto de risos e conversas de amigos, familiares e vizinhos que desfrutavam de tão aprazível lugar. Regressamos a casa, cientes que a verdadeira felicidade vem de dentro de cada um de nós, basta estarmos com quem nos faz bem e termos força de vontade para sairmos da toca, para nos libertar das correntes que às vezes mastigam as nossas feridas.

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