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O sobreiro assobiador

Uma árvore monumental portuguesa é a árvore europeia do ano. O sobreiro, árvore nacional, é uma das três espécies protegidas legalmente como a azinheira e o azevinho. As áreas florestais ocupam 35,4% da área em Portugal. Continuamos a ser os maiores produtores mundiais de cortiça, embora a sua área, 23% do total da floresta, tenha já sido ultrapassada pelos eucaliptos com 25,4%. Os sobreiros devem ser explorados à perpetuidade em que, ao contrário das florestas de produção, com árvores exploradas em corte raso todas com a mesma classe etária, existem exemplares com diversas idades que se vão renovando sucessivamente. Os sobreiros caracterizam dois tipos de habitats protegidos de acordo com a legislação europeia da rede Natura: zonas densas, verdadeiramente uma floresta com elevada resistência ao fogo pela existência da cortiça e por manter, mesmo no verão, uma elevada humidade no subcoberto; zonas de montado com árvores dispersas permitindo o pastoreio extensivo e a existência, em simultâneo, de organismos florestais e de prados em resultado duma equilibrada intervenção humana. Estes ecossistemas, economicamente viáveis, têm elevada biodiversidade com muitas espécies ameaçadas em termos europeus. Esta classificação, mais do que premiar a árvore isolada, vem distinguir uma paisagem genuinamente nacional. Também este património natural, é motivo de orgulho e espero que a distinção contribua para diminuir a área de eucaliptais que, embora com aspetos positivos, descaracterizam a nossa paisagem e, como se viu o verão passado, ardem facilmente. Assim viva a cortiça e oxalá aumente a área florestal de sobreiros sejam ou não assobiadores.

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