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Choques e suspiros

Na semana passada ao passar pelo Almonda Parque comentei com uma amiga: – “ Este ano temos de ir dar uma volta nos carrosseis, que dizes? “. Ela respondeu: “– Só se for no carrossel da Selva no banco de jardim”. Entusiasmada fui dar uma volta para ver se encontrava o dito carrossel. Nada. Apenas vi seis carrosseis para crianças, dois para jovens e outro para jovens e adultos. Passado uns dias, a feira de São Gregório abriu ao público. Uma nota de curiosidade em relação a este Santo que chegou a Papa e a Doutor da Igreja. Vendeu os seus bens para ajudar os pobres e a própria Igreja. Tinha dignidade, senso de dever e medida. Rebuscando as qualidades de São Gregório digo-vos quem organiza este evento deveria ter imaginação suficiente para
proporcionar à população dias de alegria e diversão para todas as idades. Mas não é bem assim. Fica-se pela aceitação de diversões num espaço sem medidas e tamanhos e com o chão cheio de lama e buracos; Por cima do parque de estacionamento colocam uma tenda transparente para os concertos ao vivo para a juventude abanar o capacete e beber umas “jolas”. No seu exterior comprido e largo estão duas barracas com o mais do mesmo: mochilas de pano, cãezinhos de peluche, pulseiras, fios, chinelos, tudo comprado a preço barato, no Martim Moniz em Lisboa. Por que motivo não se coloca uma tenda para os nossos artesãos e doceiros de cá? Por que motivo a Dona Glória que é uma senhora adorável que com os seus oitenta e tal anos faz pipo
cas e algodão doce, muito saborosos não está presente este ano? É uma falta de respeito. Ela deveria ser convidada, pois já no tempo dos meus avós ela já fazia esta feira. Por que motivo não se organiza algo inovador dentro desta feira? É assim que o povo sai à rua? Não senhor, não é de certeza. Deixo a feira com os choques dos carros de choque que não apresentam nenhuma segurança e os suspiros excitados das mocinhas que dão no sobe, desce e roda a alta velocidade no carrocel do canguru louco que mais parece um grilo. A música corta os ouvidos e é levada pelo vento até ao infinito. Felizmente a tradição ainda é o que era e se tenho as estaladiças farturas do Pina, para que quero as do Fábio?

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