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Doutores há muitos

Nestes últimos dias, os órgãos de comunicação deram-nos a conhecer até ao excesso o caso do currículo de uma figura pública acrescentado indevidamente e o anedotário nacional viveu com esse facto um tempo de abundância. Há entre nós uma mania de querer enriquecer currículos com qualquer conteúdo por mais fútil que seja como se de grandes descobertas científicas se tratasse. Há um natural impulso para a doutorice e tudo se conjuga para lá chegar sem esforço. Qualquer actividade, por banal que seja, pode dar créditos para progressão académica sem necessidade de estudo e de esforço. Instituíram-se por aí certos cursos que não trouxeram cultura, conhecimento, competência mas conferiram níveis académicos sem necessidade de esforço e de trabalho. Há um clima de facilitismo e de destrutiva complacência no nosso sistema escolar. Nada de exigência, de trabalho, de disciplina, que são traumatizantes e podem impedir o desenvolvimento da criança e do jovem. E depois, o efeito é engendrarem-se di- plomas, copiarem-se trabalhos; em lugar de tarefas dedicadas ao ensino-aprendizagem exige-se às escolas um conjunto infernal de tarefas burocráticas e inúteis; os alunos vão por aí fora sem se confrontarem com um obstáculo num mundo onde são aplanados todos os conflitos que ajudam a crescer. Não sei se a escola actual pode ser reformada. Ela que ao longo das últimas décadas sofreu tanta “reforma”. Quase todas como factores desorientadores para professores e alunos. Cada ministro que chega ao reino da educação quer deixar a sua marca. Marca que quase sempre se mostrou inútil ou destrutiva. Sei que é necessário recusar a indisciplina e o facilitismo e que se exija a professores e alunos a construção de um espaço de formação que leve não só ao sucesso escolar mas sobretudo ao sucesso de vida.

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