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Precariamente trabalhando

Chove torrencialmente. A terra agradece. O povo enaltece. Tem início mais uma semana molhada, com temperaturas que alteram o grau de humidade para quase 90%. No entanto, há que trabalhar. A obra tem de continuar, diz o engenheiro de gabardina e guarda-chuva aberto para os homens atolados em lama com as roupas encharcadas até aos ossos. Ossos que vão enfraquecendo perante a falta de proteção adequada para enfrentarem o tempo chuvoso e traiçoeiro. Penso eu ao observá-los porque é que a empresa que lhes paga não coloca uma tenda no lugar onde eles estão a trabalhar?  Evita- riam menos baixas por falta de saúde.
Infelizmente este não é um caso isolado. Sabemos que quem trabalha numa fábrica passa quase pelo mesmo ou pior. Uma fábrica é um espaço amplo construído sem janelas e quando as tem estão perto do teto. Logo no verão o calor é insuportável, bafiento e pode trazer problemas respiratórios principalmente se essa empresa trabalhar na área de reclames luminosos, pinturas, peles entre outros. Será que um patrão pensa o que é estar todo o dia em pé a trabalhar num lugar abafado ou gélido consoante a estação climatérica? Será que os seus homens e mulheres não merecem melhores condições de trabalho? De que vale irem ao médico de trabalho se
encontram verdadeiras chagas nos seus empregos? E se denunciam são postos na rua por isso em geral comem e engolem sem sequer puder manifestar a sua opinião. De quem é a culpa? O que move esse abuso dos patrões? O capital é sempre o capital, as ações, o enchimento de bónus nos cofres dos empresários que um dia entram em falência porque houve má organização de gestão, mas desculpam-se dizendo que foi pela concorrência das empresas interna- cionais mais baratas. Haja paciência para aturar estes emproados com sorrisos falsos.

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