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Figuras de relevo

Nem sempre os doutorados ou licenciados, os grandes empresários de sucesso, os escritores e pintores de renome, os gestores de prestígio e os ricos em geral, bem posicionados na sociedade, atingem a notoriedade popular que merecem, mas em Torres Novas, sempre existiram figuras de admiração e para quem a população em geral lhes votava um inquestionável valor. Eram figuras muito populares apenas com o curso da vida. E é dessa gente do povo mais humilde, que vos quero vir hoje falar. E comecemos a desfiar os nossos heróis populares, com o nosso Ministro das bombas de gasolina e dos pombos-correios, do Chuta, que era pintor e fazia de tudo um pouco, do Zé da Ana futebolista com a sua casa de vinhos e petiscos considerada em toda a região, como uma catedral do bom vinho e que encerrava quando a boa pinga faltava. Depois lembro-me da Luísa (Tonta) e do seu habitual “Repse”, que ia sempre para o peão, nos jogos de futebol do Quintal do Zé Maria, levando o seu banquinho de madeira e um grande chapéu preto, que dava para a chuva, para o sol e para algumas bengaladas quando a afligiam. A seguir o Moleiro (Cagadito), grande futebolista do Desportivo e folião nos carnavais e nas picarias, na companhia do Chaça, hoquista e galã da época, sapato envernizado belo fato e paletó. O Carlos Néné, motorista de táxi, do Conjunto Niger e de quase todos os casamentos finos da Torres Novas de então, o Vinho Verde famoso seca adegas, mas sempre com bom comportamento cívico. A Maria Videira, o Chico Barril e sua esposa, famosos vendedores na praça do peixe e gente sem papas na língua e com belos pregões, depois o Alfredinho da pastelaria Império, o Mário da Abidis e da Viela, O Valeriano com o Solar do Melro o castiço João Virolas da esplanada do jardim, a Maria dos Rapazes, de quem se conta a história de em tribunal chamar “Macho do Pitrol”, a um advogado famoso torrejano. Lembro-me ainda de tanta gente famosa, mas ainda quero recordar o Viana, orfeonista de farta e cuidada bigodaça e a trabalhar numa loja de ferragens. O Rogério da Costa,” sempre a considerá-lo”, o Bué com belos petiscos na Praça 5 de Outubro e termino recordando Zeca Fragoso um eterno sonhador e um bom amigo da rapaziada. Foram todos gente de bem ou de mal, conforme as circunstâncias, sendo mais ou menos conhecidos, reconhecidos por todos os jovens e menos jovens desta terra onde viveram e deixaram marcas que o tempo jamais conseguirá apagar. Haverá mais, muitos mais, heróis do povo e a seu tempo vou procurar homenageá-los nestes meus escritos.

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