Home > Vida Interior > Impelidos pelo Espírito

Impelidos pelo Espírito

Ao longo da quaresma somos frequentemente exortados a cuidar da vida espiritual, dedicando tempo e atenção aos vários exercícios espirituais como a escuta mais assídua da Palavra de Deus, a oração atenta, a celebração frutuosa dos sacramentos, a partilha fraterna e o desprendimento de nós mesmos. Desta forma, nos tornamos mais livres para nos deixarmos conduzir pelo Espírito e não pelas nossas inclinações, interesses e critérios. Neste contexto, foi-nos apresentado, logo no primeiro domingo da quaresma, o exemplo de Jesus, impelido pelo Espírito Santo para o deserto para preparar a Sua missão de anunciar e construir o Reino de Deus. Como tornar mais profunda a ação do Espírito na nossa vida, como viver segundo o Espírito e não apenas segundo os impulsos da natureza (“segundo a carne” como se exprime São Paulo)? A vida impelida pelo Espírito traduz-se nos frutos que produzimos: caridade, alegria, paz, bondade, misericórdia, serviço etc. Enquanto os frutos de quem vive de forma carnal ou mundana são: vaidade, inveja, inquietação, conflitos, violência, fraudes, indiferença, devassidão, etc. (cf Gl 5, 13-26). Ora nós recebemos o Espírito no Batismo e, mais abundantemente, na Confirmação e noutros sacramentos, para que Ele nos ilumine e conduza. Porém, para que os frutos desabrochem, é indispensável a nossa colaboração ativa. A primeira e fundamental forma de colaboração é a invocação, ou seja, é pedir-lhe pela oração, que nos ilumine e fortaleça. Se invocarmos o Espírito Santo com frequência, intensificamos o desejo e a disposição de O acolher. Além de O invocar, precisamos também de O escutar. A Sua voz ressoa nas Sagradas Escrituras, pois estas foram escritas sob a Sua inspiração. Se a Palavra de Deus habitar com abundância no nosso coração e for compreendida em relação com a vida real, teremos uma base sólida para discernir as orienta
ções do Espírito. Assim, escutar o Senhor e falar-lhe como um amigo fala ao seu amigo, através da Sua Palavra, é a fonte mais segura para ouvir a voz do Espírito. Para que os frutos desabrochem, precisamos ainda de cultivar atitudes de acolhimento como aprendemos no exemplo dos servos de Deus que se tornaram instrumentos eficazes da Sua ação, particularmente Maria de Nazaré. A humildade confiante da Mãe de Deus foi a atitude que abriu a porta à ação misteriosa do Espírito Santo. Na verdade, Maria afirma que esta missão não é devida aos seus méritos mas à misericórdia do Todo-Poderoso que pôs os olhos na humildade da sua serva. Por isso, louva o Senhor, alegra-se com os seus dons e partilha a sua experiência das maravilhas de Deus com Sua prima Isabel. Notamos, de facto, este clima de louvor, alegria, humildade e partilha na visitação que faz à sua parente. Assim aprendemos as atitudes necessárias para nos deixarmos conduzir pelo Espírito Santo: humildade, louvor, ação de graças e missão. Revestindo estas disposições preparemos também a vida nova da Páscoa.
Vamos

Deixe-nos o seu comentário pelo facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *