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Macaquinhos de imitação

Quantos de nós, na sua meninice, não ouvimos dos nossos pais ou dos nossos professores esta expressão: “pois é, sois uns macaquinhos de imitação”. As ocasiões para que nos repreendessem com esta expressão, eram geralmente acontecimentos em que nós, crianças, queríamos imitar os mais velhos e as consequências eram sempre desastrosas. Com esta introdução pretendo pôr em evidência a nossa mania tão lusitana de imitar o que vem de fora ou o que vemos o nosso vizinho fazer. Esta tendência agrava-se mais na meninice e na juventude mas, na nossa época marcada pela tecnologia, também invade o campo dos mais velhos. O meu vizinho comprou um carro novo e eu, se posso, ( e, se calhar, mesmo que não possa), imediatamente compro outro porque o meu vizinho não é mais que eu. A minha vizinha traz um vestido último modelo e eu, mulher de bom gosto, tenho de comprar outro semelhante. Ela não é mais que eu. O meu filho pede: “Pai, o Manel tem um telemóvel último modelo. O pai compra-me um?” E o pai, porque o meu filho não é menos que o filho do meu vizinho, compra outro ao filho, se possível ainda mais moderno. E é assim que as tentações aumentam, as corrupções se multiplicam e que a imitação campeia. Somos eternas crianças que não podemos ver alguém com “uma camisa lavada”. Isto só falando das imitações materiais. Se daqui passarmos para os comportamentos morais ou para certos hábitos, o tal desejo de imitação desenvolve-se, mas aqui com um grande perigo: os valores, os costumes, os bons hábitos, por causa da mania da imitação, tornam-se, por vezes, ridículos e até prejudiciais porque não combinam com a nossa maneira de ser. Uma pergunta se impõe: mas então e as mudanças necessárias e tudo o que é melhor para as nossas vidas? Pois naturalmente que devemos imitar mas sempre à nossa maneira e segundo os nossos próprios critérios para não sermos apodados de “macaquinhos de imitação”.

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