Home > Colaboradores > António Mário Lopes dos Santos > 1918 – Um Ano Trágico

1918 – Um Ano Trágico

O ano de 1918, em Portugal, sob o signo do Sidonismo, foi caracterizado pela eleição directa para a Presidência da República, que alterando o regime censitário, conduziu a uma quase duplicação da população recenseada e votante.

No campo político, abre-se uma nova ditadura, com total desprezo dos partidos políticos reinantes, o partido unionista, com ministros no governo, até Março, depois na oposição; o partido evolucionista, donde saíram os dissidentes que formaram em Outubro de 1917, com monárquicos, o partido Centrista, de Egas Moniz; o partido democrático, com os principais chefes presos, os centros políticos encerrados, a imprensa censurada e proibida. Caminhou-se para a criação dum partido único, O Partido Nacional Republicano, defensor da ordem, da justiça, de nova república, baseado na unidade da família portuguesa, contra a desordem e a demagogia democrática, espelho da mentalidade de Sidónio Pais. Em 20 de Fevereiro o conselho de ministros decidira que se realizassem as eleições presidenciais por sufrágio directo e, em simultâneo, se elegessem os representantes do país, com poderes constitucionais: Deputados e Senadores, mas parte destes últimos com elementos das entidades socioprofissionais, numa primeira concretização pública do corporativismo, mais tarde vitorioso com António de Oliveira Salazar. Os unionistas abandonam o poder (7 de Março), o Partido Centrista acolhe-se no seio do Partido Nacionalista de Sidónio. Monárquicos e católicos assumem, principalmente os primeiros, o poder. Os três principais partidos políticos da república, democrático, evolucionista e unionista, abstêm-se de participar nas eleições, nelas participando, além do partido Unionista, o Socialista,o Centro Católico Português, desde 1917,organizado também em partido. No sector religioso, inicia-se com a legislação do ministro unionista Moura Pinto, que altera a lei da Separação, uma abertura de moderação às relações do Estado com a Igreja Católica Portuguesa, que se manteve até o fim da 1ª República Portuguesa. No campo sindical, a União Operária Nacional, que se colocara ao lado de Sidónio no 5 de Dezembro, afasta-se e opõe-se à política do poder pessoal da figura de Sidónio Pais. Militarmente, a política contra a guerra, defendida por grande parte do oficialato, vai abandonando as forças militares, quer na Flandres, quer nas colónias, sem substituição. A derrota do dia 9 de Abril, ante a ofensiva alemã, em La Lyz, mais agrava a situação política no continente. As eleições, realizadas a 28 de Abril, deram os seguintes resultados: Sidónio Pais foi eleito por uma votação de513.958 votos.Sol de pouca dura! Preparada para discutir e aprovar a nova Constituição, esta em funcionamento só de 15 de Julho a 6 de Agosto, encerrando para férias, com abertura em Novembro. Mas, nessa época, passou para Dezembro. Entretanto a situação económica complicava-se. A falta de produtos no mercado, o açambarcamento dos géneros, o aumento de preços, conduziram ao descontentamento social, ao reaparecimento das greves. A 12 de Outubro rebenta, logo rapidamente sufocada, uma revolta para repor a constituição suspensa. Prisões e perseguições, sucedem-se, um pouco por todo o país. Outubro é o mês da difusão da gripe pneumónica, que vai criar até ao fim do ano, um morticínio avassalador (Setembro,2270; Outubro,31.785; Novembro,18.123, Dezembro,22169), não contando os casos de tifo e outras doenças epidemiológicas. Em Novembro, a greve geral marcada para 18, perde força, devido ao fim da Guerra, com a vitória dos aliados. em 11 desse mês, data da assinatura do armistício, e à avassaladora destruição de famílias operárias pela pneumónica. Mesmo assim, nos ferroviários de Sul e Sueste avança até 25. Na outra banda, Moita, Setúbal Barreiro, no Alentejo, Algarve, noutras zonas do país, surgem conflitos e greves. A repressão não se fez esperar, com muitas centenas de operários presos. a Sede da UON, em 21 é assaltada. Mas o governo consegue vencer, ainda que por pouco tempo, a luta operária, não só por melhores condições de vida, mas, influenciada, pela revolução de Outubro de 1917, na Rússia, levada a cabo pelos bolcheviques, com o fim da Revolução Social. Na noite de 14 de Dezembro, quando da sua partida para o Porto, Sidónio é assassinado à entrada da estação do Rossio por José Júlio da Costa, antigo sargento do exército, combatente em África contra os Alemães. O Sidonismo, sem o seu mentor, pouco sobreviveu ao desaparecimento do seu chefe carismático. Todas estas situações do ano de 1918 têm a sua repercussão, como veremos, no concelho de Torres Novas.

Deixe-nos o seu comentário pelo facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *