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E somos todos iguais?

Quero contar uma estória já conhecida que não aconteceu, mas que pode sempre acontecer. Um homem rico contratou 10 camaradas, sendo que sete tornaram-se efetivos e três contratados. O filho do homem rico foi contratado e vivia de recibos verdes, em situação precária. Os amigos do rapaz entristeceram-se com isso e visitaram-no, lamentando a injustiça que o pai lhe havia feito. Tudo que o rapaz lhes dizia era “Se é bom ou mal, o futuro é que dirá”. No ano seguinte, uma seca abateu a cidade e todos os contratados foram transferidos para um sítio fértil e belo, mas os efetivos tiveram de ficar. Os amigos do rapaz deram uma festa, mas ele disse: “Se é bom ou mal, o futuro é que dirá”. Ora, passado mais um ano, veio a chuva, a enchente levou a casa e todos os bens do rapaz. Os seus amigos vieram consola-lo, mas ele disse: “Se é bom ou mal, o futuro é que dirá”. No mês seguinte, a chuva cessou, os desabrigados receberam do governo e de ajudas filantrópicas outra casa e o dobro de seus bens. Os amigos vieram novamente dar os parabéns. Mas ele só disse: “Se é bom ou mal, o futuro é que dirá”. No mês seguinte, por causa da ajuda filantrópica, o rapaz foi demitido do seu trabalho. Como era contratado, não obteve os seus direitos, pois não lhe pagaram a segurança social. Os amigos vieram e lamentaram o acontecido. Mas, o rapaz, lhes disse de novo: “Se é bom ou mal, o futuro é que dirá”. Passados poucos dias vieram os ladrões, roubaram os empregados, cortando-lhes as mãos, e todos ficaram aleijados, menos o rapaz, que não foi trabalhar, pois estava desempregado. Os amigos se alegraram, vieram festejar. Mas o rapaz só disse: “Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá…” Assim termina a estória, sem um fim. E ao contá-la nós vemos que nenhum amor ou nenhum trabalho nos dará garantias na vida. E que não há nenhuma vitória profissional ou amorosa que garanta essa tão falada estabilidade. As vitórias se desfazem em derrotas e as derrotas se transformam em vitórias. E enquanto a injustiça dos serviços precários, só servem para nos lembrar que, perante a instabilidade da vida, somos todos iguais…

Durval Baranowske, diretor

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