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As cartas sem remetente

Batem leve, levemente como quem chama por mim. Fui ver o que seria. Mas antes olhei o céu e vi que chuva não era certamente, pois estava um rico dia de sol. Na rua os cães ladravam. Espreitei. O carteiro pois então, é o mal-amado dos patudos caninos, vá-se lá saber porquê. Espreitei para dentro da caixa de correio e meus olhos arregalaram-se perante aquele envelope branco sem remetente, sem nada. Seria que teria um admirador secreto daqueles dos anos 80 que escreviam poemas de amor em papel perfumado? Seria um daqueles convites para irmos a tal lugar buscar um prémio sem nunca termos concorrido a nada? Observei o seu conteúdo com atenção. Abanei-o, não fosse ficar estonteada quando o abrisse e saltar-me para o rosto aqueles pós brancos, semelhantes à farinha? Todo o cuidado é pouco. Verifiquei que era apenas uma folha de papel escrita dum lado ao outro tendo como título a letras a negrito FABRIÓLEO, SA. Li a missiva duma ponta à outra e fiquei a pensar com que propósitos me enviaram esta carta? Aliás mais vizinhos também a receberam e se calhar a população de Torres Novas não foi exceção. O que pretendem estes senhores com este condão de –“se soubessem…”, “se a empresa onde trabalham estivesse…” Parece-me que estão a escavar no mesmo buraco. O problema do ambiente na nossa cidade. No meu parco entender penso que esta empresa deveria resolver os problemas internos que tem com as entidades competentes e seguir em frente. Se não têm culpa de despejarem matérias poluentes na Ribeira da Boa Água, então porque enviam estas cartas à população? Porque tiveram de ir a tribunal? Porque não se arruma de vez com este problema grave que nos vai criando dificuldades respiratórias e doenças oncológicas? Nós somos as vítimas destas guerras entre paredes, pois vivemos cá. Claro que há mais empresas poluidoras, mas quem tem o poder também deve preocupar-se em arranjar soluções rápidas e este assunto anda de arrastão há uns anos. No final está um nome apenas: António Gameiro. Desconheço quem seja ou o papel que desempenha na dita empresa. Por mim podem poupar papel e trabalho no envio destas cartas para minha casa. Eu apenas quero viver em paz e poder passar nos locais poluentes sem ter de colocar uma máscara como já fiz algumas vezes. Unam-se, conversem e resolvam o mau ambiente de cá. Os habitantes desta terra merecem.

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