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Há ideias brilhantes

 

Ora aí está. Pois claro. Há muito que aguardava esta coisa. No meio da desorientação em que vamos nem tudo é negativo, aqui e ali aparecem ideias brilhantes. O chefe das associações de pais e encarregados de educação acaba de propor, num alvitre sumamente sagaz e oportuno, o alargamento do horário escolar. Poderia ser assim a coisa: os alunos entram a partir das oito e saem aí pelas vinte horas. Concordo. Dou o meu acordo e aplaudo. A escola responderia assim a um grande problema social. Os pais, deixados os filhos entregues à escola, poderiam, de alma e coração, dedicarem-se ao trabalho, tomarem as refeições descansados. É uma grande maçada para os pais, saturados da azáfama diária, correrem dos empregos para irem buscar os filhos à escola.

 

Os pais, deste modo, calmamente, poderão ver televisão enquanto jantam, numa salutar libertação do stress diário. Concorre-se, para uma vida familiar harmoniosa. Os filhos, fechados largas horas no espaço escolar, ao fim do dia, sedentos do afecto paternal, correrão para os braços dos progenitores e, assim, sentirão bem e darão valor ao papel educativo dos pais.

 

Eu iria mais longe. Por que não? Agora que as escolas já não servem para ensinar e para aprender, poderíamos transformar as salas de aulas em camaratas. Os alunos ficavam dia e noite na escola e só iam a casa ao fim de semana. Penso que assim os laços familiares se fortaleciam e os pais ficavam mais libertos para a profissão e para o lazer. Todos os dias em casa, os filhos são uma grande maçada. É o banho, é o estudo, é o computador, é a papa e a sopa…Não me surpreende a recente notícia em que um casal troca o filho adoptado por um cão adquirido. É que o choro do filho é mais chato que o ladrar do cão; é preciso embalar as birras do filho e o cão é uma ternura quando abana a cauda e se enrosca aos nossos pés. Nem há comparação entre um cão e um filho. O cão tem um pêlo macio.

 

Penso estarmos aqui perante a confirmação de que o novo papel da escola é somente para guardar as crianças enquanto os pais labutam na faina diária. E está certo. O mundo, a rua, estão cheios de perigos e, o inocente “Capuchinho Vermelho”, na escola, estará bem protegido. Os pais deixarão de se preocupar pois a escola se encarregará de tudo.

Feliz sociedade que tem mentes tão brilhantes que produzem e expelem ideias tão luminosas.

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